Da beleza e consolação da crônica:

July 6th, 2008

Sou uma defensora da crônica. Da sua elevação à qualidade de gênero. De arte. Das frases curtas e do ponto final obsessivo. Do ritmo de Nelson Rodrigues e da iconoclastia de Auberon Waugh. Da ironia de Eça de Queiroz e dos diários de Jeffrey Bernard.

Mas a grande crônica, a boa crônica, começa lá em cima. No título. Por uma questão somente estilística os títulos devem ser breves, simples e definitivos. Não podem iniciar uma piada e muito menos um trocadilho. Devem, sempre e em todo o caso, evitar o segundo sentido. Sempre e em todo o caso, exceto quando o segundo sentido nos remete para um dos nossos autores. Um grande escritor. Um gênio.

O cronista, mais do que um escritor, deve ser um amigo. O melhor amigo. Deve pôr o leitor a falar sozinho. Deve ser psiquiatra e a crônica, o seu divã. Deve ser confessional, sem ser um livro aberto. Deve falar das paixões, sem nunca mencionar os amores. Só em caso de vida ou morte. Em caso de vida ou morte, cabe ao cronista o ingrato dever de confessar o seu amor. Tem de fazer as mesmas vezes de um deus e salvar aqueles que ama. Senão, deve aliviar as mágoas e consolar o enlutado.

O cronista, acima de tudo, deve educar. Mas mal. Deve ser o mentor da devassidão. Tem de perverter. Conspurcar. Curar a depressão, levando ao suicídio.

O cronista deve possuir uma arrogância suprema. A primeira qualidade da sua personalidade deve ser a presunção. As leis da soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça devem governar a sua prosa. Deve quebrar os mandamentos. Não amar, trair, desonrar, desejar, cobiçar, pecar, roubar e matar devem ser os seus desígnios.

O cronista nunca deve acertar. Acertar, na realidade, é sinônimo de falta de imaginação. O cronista deve ser hipócrita. Falso e fingido. Ser verdadeiro é sinônimo de falta de inteligência.

O cronista deve ser infeliz. Pior: miserável.

Realidade e sonho de Fellini

July 2nd, 2008

(Otto e mezzo), 1963.

Emilio Adolfo Westphalen

June 29th, 2008

Nice Soleil Fleurs - Marc Chagall

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Balança exata

Um mar semelhante a uma lua dupla de armazém se interpôs no caminho. Um punho levanta a formosa jóia: um coração pequeno cheio de tatuagens e com algumas gotas de sangue ainda em alguns lugares. Entre as tatuagens se sobressai a de um belo rosto de mulher que não se aquieta um instante; sorri ou chora, leva um dedo aos lábios para impor silêncio ou fecha os olhos para deixar atravessar bonitos sonhos que transparecem através das pálpebras. No outro extremo da lua, um barco atravessa lentamente o horizonte à velocidade reduzida da formiga projetada à distância. No meio da embarcação, uma guilhotina está de pé.

Ninguém mais ocupa o barco que dois carneiros balem desesperadamente nas extremidades. Parecem a imagem do amor ou da vida que chega ao seu fim. Em instantes, detrás da guilhotina, um súbito resplendor ilumina a cena, o mar infinito. Vêem-se, então, umas pequenas gotas de sangue na navalha da guilhotina e acima dela um letreiro que diz: duas aranhas entrelaçadas.

Quando a escuridão é completa, o barco permanece visível, iluminado pela luz rosa de um refletor de teatro. Lá sob o barco aparece a bela mulher que abriu caminho fugindo célere de seus cabelos como de um potro indomável e que tem quase a metade de seu corpo coberto de escamas furta-cor e a outra metade de estrelas-do-mar e sobre cada um dos seios um imenso rubi do tamanho da cabeça de uma pomba. Os olhos são os que mais chamam a atenção; são pequenos espelhos circulares.  Sabe-se que são espelhos, entretanto, ao se mirar neles, vê-se uma paisagem distinta segundo a hora ou a pessoa. Se é uma menina de dez anos que se aproxima, descobrirá uma pradaria verde na qual imensas fontes vermelhas brotam por toda parte, e a menina baixará os olhos como se a tivessem violado. Entretanto, o ancião tem outras probabilidades: um rio enroscando-se ao redor de um pinheiro gigante e estrangulando-o lenta e prazerosamente. Acaso duas pessoas assomam ao mesmo tempo aos olhos: em um tem lugar um assassinato, no outro um homem e uma mulher sobem ao tálamo nupcial.

Emilio Adolfo Westphalen
Tradução: Priscila Manhães

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Balanza exacta

Un mar parecido a una luna doble de almacén se ha interpuesto en el camino. Un puño levanta la hermosa joya: un corazón pequeño lleno de tatuajes y con algunas gotas de sangre todavía en algunos sitios. Entre los tatuajes sobresale el de un hermoso rostro de mujer que no se está quieto un instante; sonríe o llora, se lleva un dedo a los labios para imponer silencio o cierra los ojos para dejar pasar hermosos sueños que se transparentan a través de los párpados. Al otro extremo de la luna, una barca atraviesa lentamente el horizonte a la velocidad reducida de la hormiga proyectada a la distancia. En medio de la embarcación, una guillotina se tiene de pie.

Nadie más ocupa el bote que dos carneros que a los extremos balan desesperadamente. Parecen la imagen del amor o de la vida que llega a su término. A instantes, detrás de la guillotina, un resplandor súbito ilumina la escena, el mar infinito. Se ven, entonces, unas pequeñas gotas de sangre en la cuchilla de la guillotina y encima de ella un letrero que dice: dos arañas entrelazadas.

Cuando la oscuridad es completa, siempre queda la barca visible, iluminada por la luz rosa de un reflector de teatro. Allí de debajo la barca aparece la hermosa mujer que se ha abierto camino jalando de sus cabellos como de un potro indomable y que tiene casi la mitad de su cuerpo cubierto de escamas tornasoladas y la otra mitad de estrellas de mar y sobre cada uno de los senos un inmenso rubí del tamaño de una cabeza de paloma. Los ojos son los que más llaman la atención; son pequeños espejos circulares. Uno sabe que son espejos, sin embargo, al mirarse en ellos, ve un paisaje distinto según la hora o la persona. Si es una niña de diez años quien se acerca, descubrirá una pradera verde en la cual inmensos surtidores rojos brotan por todas partes, y la niña bajará los ojos como si la hubieran violado. En cambio, el anciano tiene otras probabilidades: un río enroscándose alrededor de un pino gigante y estrangulándolo lenta y gozosamente. Acaso dos personas se asoman al mismo tiempo a los ojos: en uno tiene lugar un asesinato, en otro suben al tálamo nupcial un hombre y una mujer.

Porão Loquax com Rodrigo Garcia Lopes

June 29th, 2008

Rodrigo

A união Livre - André Breton.

June 27th, 2008

A união livre

Minha mulher com o cabelo de fogo de lenha
Com pensamentos de relâmpagos de calor
De talhe de ampulheta
Minha mulher com a talhe de lontra entre os dentes de tigre
Minha mulher com a boca emblemática e de buquê de estrelas de última grandeza
Com dentes de rastro de camundongo sobre a terra branca
Com língua de âmbar e de vidro em atritos
Minha mulher com língua de hóstia apunhalada
Com a língua de boneca que abre e fecha os olhos
Com a língua de inacreditável pedra
Minha mulher com cílios de lápis de cor das crianças
Com sobrancelhas de borda de ninho de andorinha
Minha mulher com têmporas de ardósia de teto de estufa
E de vapor nos vidros
Minha mulher com espáduas de champanhe
E de fonte com cabeças de delfins sob o gelo
Minha mulher com pulsos de fósforos
Minha mulher com dedos de acaso e de ás de copas
De dedos de feno ceifado
Minha mulher com axilas de marta e de faia
De noite de São João
De ligustro e de ninho de carás
Com braços de espuma de mar e de eclusa
E de mistura do trigo e do moinho
Minha mulher com pernas de foguete
Com movimentos de relojoaria e de desespero
Minha mulher com panturrilhas de polpa de sabugueiro
Minha mulher com pés de iniciais
Com pés de chaveiros com pés de calafates que bebem
Minha mulher com pescoço de cevada perolada
Minha mulher com a garganta de Vale d’Ouro
De encontro no leito mesmo da torrente
Com seios de noite
Minha mulher com seios de toupeira marinha
Minha mulher com seios de crisol de rubis
Com seios de espectro da rosa sob o orvalho
Minha mulher com ventre de desdobra de leque dos dias
Com ventre de garra gigante
Minha mulher com dorso de pássaro que foge vertical
Com dorso de mercúrio
Com dorso de luz
Com a nuca de pedra rolada e de giz molhado
E de queda de um copo do qual se acaba de beber
Minha mulher com ancas de chalupa
Com ancas de lustre e de penas de flecha
E de caule de plumas de pavão branco
De balança insensível
Minha mulher com nádegas de arenito e de amianto
Minha mulher com nádegas de dorso de cisne
Minha mulher com nádegas de primavera
Com sexo de gladíolo
Minha mulher com sexo de mina de ouro e de ornitorrinco
Minha mulher com sexo de algas e de bombons antigos
Minha mulher com sexo de espelho
Minha mulher com olhos cheios de lágrimas
Com olhos de panóplia violeta e de agulha magnetizada
Minha mulher com olhos de savana
Minha mulher com olhos d’água para beber na prisão
Minha mulher com olhos de madeira sempre sob o machado
Com olhos de nível d’água de nível do ar de terra e de fogo.

André Breton, 1931.
Tradução: Priscila Manhães e Carlos Eduardo Ortolan, 2008.

L’union libre

June 25th, 2008


Modigliani - Reclining Nude, 1917.


André Breton lê L’Union Libre.
(fonte do áudio: UbuWeb Sound)

L’Union Libre

Ma femme à la chevelure de feu de bois
Aux pensées d’éclairs de chaleur
À la taille de sablier
Ma femme à la taille de loutre entre les dents du tigre
Ma femme à la bouche de cocarde et de bouquet d’étoiles de dernière grandeur
Aux dents d’empreintes de souris blanche sur la terre blanche
À la langue d’ambre et de verre frottés
Ma femme à la langue d’hostie poignardée
À la langue de poupée qui ouvre et ferme les yeux
À la langue de pierre incroyable
Ma femme aux cils de bâtons d’écriture d’enfant
Aux sourcils de bord de nid d’hirondelle
Ma femme aux tempes d’ardoise de toit de serre
Et de buée aux vitres
Ma femme aux épaules de champagne
Et de fontaine à têtes de dauphins sous la glace
Ma femme aux poignets d’allumettes
Ma femme aux doigts de hasard et d’as de coeur
Aux doigts de foin coupé
Ma femme aux aisselles de martre et de fênes
De nuit de la Saint-Jean
De troène et de nid de scalares
Aux bras d’écume de mer et d’écluse
Et de mélange du blé et du moulin
Ma femme aux jambes de fusée
Aux mouvements d’horlogerie et de désespoir
Ma femme aux mollets de moelle de sureau
Ma femme aux pieds d’initiales
Aux pieds de trousseaux de clés aux pieds de calfats qui boivent
Ma femme au cou d’orge imperlé
Ma femme à la gorge de Val d’or
De rendez-vous dans le lit même du torrent
Aux seins de nuit
Ma femme aux seins de taupinière marine
Ma femme aux seins de creuset du rubis
Aux seins de spectre de la rose sous la rosée
Ma femme au ventre de dépliement d’éventail des jours
Au ventre de griffe géante
Ma femme au dos d’oiseau qui fuit vertical
Au dos de vif-argent
Au dos de lumière
À la nuque de pierre roulée et de craie mouillée
Et de chute d’un verre dans lequel on vient de boire
Ma femme aux hanches de nacelle
Aux hanches de lustre et de pennes de flèche
Et de tiges de plumes de paon blanc
De balance insensible
Ma femme aux fesses de grès et d’amiante
Ma femme aux fesses de dos de cygne
Ma femme aux fesses de printemps
Au sexe de glaïeul
Ma femme au sexe de placer et d’ornithorynque
Ma femme au sexe d’algue et de bonbons anciens
Ma femme au sexe de miroir
Ma femme aux yeux pleins de larmes
Aux yeux de panoplie violette et d’aiguille aimantée
Ma femme aux yeux de savane
Ma femme aux yeux d’eau pour boire en prison
Ma femme aux yeux de bois toujours sous la hache
Aux yeux de niveau d’eau de niveau d’air de terre et de feu

André Breton
Clair de terre, 1931.

Phillippe Halsman - When He Said “Jump…”

June 24th, 2008

Phillippe Halsman e Marilyn Monroe
Phillippe Halsman e Marilyn Monroe

“Em um salto, o protagonista, em uma repentina explosão de energia, supera a gravidade. Ele não pode controlar suas expressões, seus gestos faciais e os músculos de seus membros. A máscara cai. A pessoa real se faz visível. É só capturar este momento com a câmera.”

Phillippe Halsman, fotógrafo surrealista em seu livro Jump Book.

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Dali Atomicus, 1948.
(para fazer essa foto, Halsman contou com a ajuda de sua esposa e três assistantes para jogar a cadeira, os gatos e a água).

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Marilyn Monroe e Dean Martin e Jerry Lewis.

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Audrey Hepburn e Mauriac.

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Grace Kelly e Marc Chagall.

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Oppenheimer e Brigitte Bardot

Oppenheimer e Brigitte Bardot.

Odysseas Elytis

June 21st, 2008

Odysseas Elytis nasceu em Creta em 2 de novembro de 1911, e morreu em Atenas em 18 de março de 1996. Estudou advocacia e filosofia nas universidades de Atenas e Paris. Foi em Paris que Elytis descobriu o surrealismo, que influenciou seus primeiros poemas, mas que ele jamais considerou como imposição formal, nem, sobretudo, modelo obrigatório. Milagre de despojamento, paisagens reduzidas às linhas de sombra e luz, ao lineamento do céu, da terra, das águas. Por trás da beleza e da perenidade das coisas cotidianas, há também – e isto é particular da Grécia – o deslumbramento, até a vertigem de uma língua quase imemorial. Porque, para dizer, sol em grego, Elytis diz helios, mas Homero já o dizia há quase trinta séculos! Em seus discurso de agradecimento ao Prêmio Nobel, em 1979, Elytis espanta-se, maravilha-se, extasia-se diante da imemorialidade dessas palavras, da palavras que expressam os elementos visíveis – e, às vezes, invisíveis – da paisagem grega, e que também continuam a viver como ouranos, o céu; thalassa, o mar; chora, o espaço; buthos, o abismo, e pontos, o alto-mar.
Sua obra compreende apenas uma quantidade mais do que razoável de coletâneas – umas vinte, quando muito. Publicou também dois ensaios sobre os poetas que o marcaram, e traduziu magnificamente poetas antigos, como Safo, e poetas franceses, como Rimbaud, Lautréamont, Éluard, Reverdy, Breton. O que, a meu ver, caracteriza mais nitidamente, Elytis, se comparando com outros poetas de seu tempo, é a importância participar que ele atribui à sua língua, quero dizer, à língua grega. A língua a que, na passagem de um de seus poemas, Axion esti, chama de “o humilde casebre nas plagas de Homero”. O surrealismo o liberou de qualquer referência ou escrita acadêmica. A convivência com poetas bizantinos e também a poesia popular lhe forneceram verdadeiro arsenal vocabular, do qual soube fazer um uso eminentemente inovador. Já postei no blog dois poemas do Elytis: Nascimento do Dia e O Sono dos Bravos.

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Aniversário

Vivi minha vida até aqui
Até este ponto que luta
Sempre perto do mar,
Juventude nos rochedos
Corpo a corpo com o vento.
Aonde pode ir um homem
Que nada mais é senão um homem
Contando suas horas que verdejam no ábaco dos orvalhos
Contando pelas águas as visões de seu ouvido
E pelas asas seus remorsos.
Ah, vida
De um menino que se faz homem
Sempre perto do mar
Quando o sol lhe ensina
A respirar no mesmo lugar onde se apaga
A sombra de uma gaivota.
Vivi minha vida até aqui
Adição branda e total negro
Algumas árvores, alguns seixos molhados
Dedos leves para acariciar uma fronte.
A noite inteira lamentos de espera
Não há mais ninguém
Mais ninguém
Para fazer ouvir um passo de liberdade
Para fazer brotar uma voz repousada
As proas marulham contra o molhe
Traçando um nome azul no meio dos horizontes.
Alguns anos, algumas ondas
E a aproximação sensível
Das ancoragens enlaçando o amor.

Vivi minha vida até aqui
Risca amarga na areia efêmera
- Quem quer que tenha visto dois olhos afagarem o silêncio
Encontrado o calor de milhares de universos
Se lembrará de outros sóis em seu sangue
Mais perto da luz
É um sorriso que resgata a chama –
Mas aqui, nesta paisagem noviça que se perde
Num mar aberto e sem piedade
A felicidade se desnuda
Turbilhões de asas de instantes colados ao chão
Um chão duro sob a impaciência dos calcanhares
Um chão concebido para a vertigem
Vulcão extinto.

Vivi minha vida até aqui
Pedra votada ao elemento líquido
Mais distante do que as ilhas
Mais funda do que a vaga
Nas vizinhanças das âncoras
- Quando passam as carenas fendendo apaixonadamente
Um novo obstáculo que ultrapassam
E com os delfins ergue-se a esperança
Vitória do sol sobre um coração de homem –
As redes da dúvida puxam
Uma imagem de sal
Penosamente esculpida
Indiferente e branca
Que volta para o mar o vazio de seus olhos
E sustenta o infinito.

Odysseas Elytis, 1936.
Tradução: Priscila Manhães, 2008.

Mulheres & Serpentes (3)

June 19th, 2008

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Serpent Woman of La Boqueria

Serpentes

June 19th, 2008

Tisiana 12

Era uma vez duas serpentes que não gostavam uma da outra. Um dia encontraram-se num caminho muito estreito e como não gostavam uma da outra devoraram-se mutuamente. Quando cada uma devorou a outra não ficou nada. Esta história tradicional demonstra que se deve amar o próximo ou então ter muito cuidado com o que se come.

Ana Hatherly, in 463 Tisanas.

Serpente

June 18th, 2008

Tisiana 68

Era uma vez uma serpente infinita. Como era infinita não havia maneira de se saber onde estava a sua cabeça. De cada vez que se lhe tirava uma vértebra não fazia falta nenhuma. Podia-se mesmo parti-la desloca-la emenda-la. Ficava sempre infinita. Quem quisesse levar-lhe um bocado para casa podia pô-lo na parede e contemplar um fragmento da serpente infinita.

Ana Hatherly, in 463 Tisanas.

Bloomsday

June 16th, 2008

James Joyce - Zurich, 1937
James Joyce - Zurich, 1937. Foto de Carola Gideon-Welcker.


Ouça Joyce lendo Ulisses (1934).

Cantoria - Música em Ribeirão Preto.

June 15th, 2008

Agradeço a todo mundo que torceu. Foi um espetáculo e tanto e foi duca!

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Banda quase completa, faltou o Alexandre.
Da esquerda pra direita: Cris (baixo e violão), Re (guitarra), eu (voz), Beto (violão), Mara (namorada do Junior), Marcelo (bateria) e Junior (teclado).

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Passagem de som com a orquestra em Ribeirão.

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Antes do show

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Eu e a banda junto com a orquestra de Ribeirão.

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A primeira música que cantamos: Memórias. Dá pra ver a letra no telão.

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Todos emocionados depois da apresentação.

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Será? Esperando o resultado.

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“Prêmio de consolação, né?”

Não ganhamos, mas foi tão perfeito que nem importou.

Ouça a música que cantamos no festival:

 
 Memórias [2:37m]: Play Now | Play in Popup | Download

Ausência e música

June 12th, 2008

Sei que estou ausente aqui, mas é que amanhã vou cantar num festival em Ribeirão Preto; e por isso tenho intensos ensaios com a nova banda - do rock para mpb, mas depois eu conto.
Enquanto isso, há um link novo (Músicas) no menu ao lado; agora o blog tem uma página só para as músicas que gravei.

Feliz Dia dos Namorados, beibe.

June 12th, 2008

Priscila


Jill Scott - He Loves Me

You’re different and special
You’re different and special in every way imaginable
You love me from my hair follicles to my toenails
You got me feeling like the breeze, easy and free and lovely and new
Oh when you touch me I just can’t control it
When you touch me, I just can’t hold it
The emotion inside of me, I can feel it

Ahhh…