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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César


Raymond Carver (1939-1988).

My crow *
Raymond Carver

A crow flew into the tree outside my window.
It was not Ted Hughes’s crow, or Galway’s crow.
Or Frost’s, Pasternak’s, or Lorca’s crow.
Or one of Homer’s crows, stuffed with gore,
after the battle. This was just a crow.
That never fit in anywhere in its life,
or did anything worth mentioning.
It sat there on the branch for a few minutes.
Then picked up and flew beautifully
out of my life.

Meu corvo
Raymond Carver

Um corvo pousou na árvore que há em frente à minha janela.
Não era o corvo de Ted Hughes, nem o corvo de Galway.
Nem era o de Frost, nem de Pasternak, ou o corvo de Lorca.
Tampouco era um dos corvos de Homero, impregnados de sangue,
depois da batalha. Era apenas um corvo.
Que nunca se adequou à sua vida,
nem fez nada digno de mérito.
Pousou ali nos raminhos durante alguns minutos.
Logo alçou vôo majestosamente
e saiu da minha vida.

Versão: Priscila Manhães.

4 Comments


  1. L. Rafael Nolli
    Sep 01, 2007

    Olá, Priscila. Esse poema possuía um mistério para mim. Em meu primeiro contato com ele achei de imediato que estava faltando um Corvo. O do Poe. Que é um corvo tão presente, que tem visitado pelos anos tantas levas e levas de escritores… Mas agora, alguns poucos anos depois dessa minha primeira impressão, essa leitura me tirou um pouco desse estranhamento. Percebi, em fim, podendo estar completamente equivocado, que estou diante de uma “paródia”. Achei difícil dizer isso, pois paródia foi a única palavra que me ocorreu, sendo, por incrível que pareça, perfeita de um lado e a pior possível. Fiquei preso no labirinto. O que, com certeza, me agradou muito. Digo, como o fiz em outras ocasoiões, que o teu trabalho por aqui tem um ótimo nível. Não deixe de me avisar quando pintar novidades! Abraços para ti.


  2. Priscila Manhães
    Sep 04, 2007

    Nolli, obrigada, aviso sim.
    Seguinte: Carver é minimalista. Às vezes o poema é tão simples que temos medo de não entender. Então não acho que seja uma paródia, mas apenas um poema simples, “era apenas um corvo”. :)
    Eu também achei que estava falando o corvo do Poe. Beijo.


  3. Miguel
    Sep 04, 2007

    Priscila, cheguei ao teu blog através de uma busca por poemas de Raymond Carver.
    Estás correta em afirmar que este poema não é uma paródia, é o minimalismo de Carver.
    É uma grande surpresa o teu blog, que une beleza, inteligência e sensualidade. Convite ao diabo encarnado é uma prosa poética avassalante.
    Saudações de Portugal, Miguel.


  4. Anonymous
    Sep 04, 2007

    Está mesmo uma beleza.

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