Archives
Monthly Archive
for: ‘March, 2008’

Tinta verde


 

Escrito con tinta verde
Octavio Paz

La tinta verde crea jardines, selvas, prados,
follajes donde cantan las letras,
palabras que son árboles,
frases que son verdes constelaciones.

Deja que mis palabras, oh blanca, desciendan y te cubran
como una lluvia de hojas a un campo de nieve,
como la yedra a la estatua,
como la tinta a esta página.

Brazos, cintura, cuello, senos,
la frente pura como el mar,
la nuca de bosque en otoño,
los dientes que muerden una brizna de yerba.

Tu cuerpo se constela de signos verdes
como el cuerpo del árbol de renuevos.
No te importe tanta pequeña cicatriz luminosa:
mira al cielo y su verde tatuaje de estrellas.

Parente de quatro patas

Dionísio, meu gato.

Dionísio, meu gato.

Apenas mais uma de amor

Apenas mais uma de amor, do Lulu Santos, foi a primeira música que eu gravei num estúdio.

Eu na voz e Marcelo Santos no vocal e violão.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Se preferir, faça o download aqui.

Les uns et les autres

Man Ray e Luis Buñel.

À primeira vista Luis Buñel (1900-1983) e Man Ray (1890-1976) pouco têm em comum senão um fascínio partilhado por algo que ambos chamam de “O Objeto”. Suas vidas e a busca de um objeto de desejo.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Entrevista com Ray Man (Fonte do áudio: Ubu)

il desiderio

Há um desejo duplicado de comer carne na quaresma. Morta ou vida.

Crianças & Adultos.

 

Confesso que só tive curiosidade de assistir Juno depois de saber que o Oscar de melhor roteiro original foi para Diablo Cody, blogueira e ex-stripper. Fui surpreendida com a trilha sonora. Não é todo dia que você vê um filme com músicas não-inéditas sem se restringir a propor um hit list comum, antes apresentando as intenções dramáticas desse mesmo filme. É o que acontece com a trilha sonora de Juno, uma suntuosa antologia que atravessam Buddy Holly com Dearest, The Kinks com A Well Respected Man, The Velvet Underground com I’m Sticking With YouSonic Youth com Superstar dos The Carpenters (eu gosto dos Carpenters, mas a versão dos Sonic Youth é muito boa) e a linda Sea of love cantada por Cat Power.

Ouça uma das minhas favoritas do Buddy Holly, Dearest.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Imemorial Orfeu

 
Imagem: Orfeu | Odilon Redon, 1913.

Não é próprio da poesia escapar ao tempo, pelo menos a suas formas mais frágeis e instáveis? Sempre me espanta, entretanto, que em nossos dias possamos ler Homero, Virgílio, Lucrécio e muitos outros com proveito e até paixão, e sobretudo com o estranho sentimento de nos tornamos contemporâneos dos grandes heróis de seus poemas, que se chamam Ulisses, Enéias ou Orfeu. Daquelas épocas tão longínquas e daquelas línguas, consideradas mortas, vozes, poemas e cantos ainda chegam até nós, por vezes límpidas, por vezes obscuras, mas sempre portadoras, como o arco-íris, de encanto e alcance irisados. Ou como a luz de certas estrelas longínquas que continuamos a receber e a ver, mesmo que algumas delas talvez se tenham apagado há milhares de anos.
Assim percebemos a voz dos poetas de antigamente, apesar dos anos-luz que podem dela nos separar. E mesmo que, por vezes, alguns nomes encubram apenas uma lenda, uma silhueta espectral, o último eco de epopéias submersas ou de confrarias extintas. Assim foi com Orfeu, este nome mágico para mim, desde o dia em que, adolescente, o ouvi pela primeira vez num curso de mitologia grega, nome que inicialmente simbolizou a figura, a função e também o destino do poeta: encantar o homem e encantar o mundo, vencendo, pelas palavras e também pelo amor, as forças da morte.
É certo que, com os anos, esse príncipe dos poetas e da sombra assumiu outra figura, menos austera e, sobretudo, menos ritual, uma figura mais humana, mais próxima de nós. Mas jamais arrefecerão em mim o teor e o alcance de sua mensagem: o poeta não existe para aprovar o mundo, mas para melhorá-lo. Cantar quer dizer encantar, e nos encantar no sentido forte da palavra, ou seja, não nos adormecer, mas o contrário, nos despertar, nos acordar diante da única realidade que conta: a de completar o seu imaturo que somos. E, para isso, a música é a vida privilegiada, ao mesmo tempo fundadora e libertadora, a única que dá às palavras sua plenitude e sua aura. Orfeu, não esqueçamos, era músico. Um cantor, tanto quanto um encantador. A ele, portanto, a tarefa de nos revelar o mistério deste universo, revelar as belezas ocultas que nos cercam, e sobretudo, entregar-nos a chave que dá acesso ao Invisível e ao Inteligível. Por trás do nome Orfeu, ocultava-se, para mim – oculta-se ainda -, o poder que tem a linguagem de despertar, o poder que têm as imagens de encantar. 

Imemorial Orfeu, parte 1.

Categorias

Arquivos