Finnegans Wake, de Joyce, em HQ.
Clique na imagem para ver maior, e aqui para a segunda parte.
Ineluctable Modality of the Funny Papers
Amanhecer assim…
… como se o Rio de Janeiro fosse todinho meu.
Do the things that you always wanted to
Without me there to hold you back, don’t think, just do
More than anything I want to see you go
Take a glorious bite out of the whole world
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Virgilio Piñera

Virgilio Piñera – Buenos Aires, 1951.
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O inferno
Quando somos crianças, o inferno não é outra coisa senão o nome do diabo posto na boca de nossos pais. Depois, essa noção se complica, e então reviramos no leito, nas intermináveis noites da adolescência, tratando de apagar as chamas que nos queimam – as chamas da imaginação! Mais tarde, quando já não nos olhamos nos espelhos porque nossos rostos começam a se parecer com o do diabo, a noção do inferno resolve-se em um temor intelectual, de maneira que, para escapar a tanta angústia, nos pomos a descrevê-lo. Já na velhice, o inferno se encontra à mão que o aceitamos como um mal necessário, e até deixamos ver nossa ansiedade por sofrê-lo. Mais tarde ainda (e agora, sim, estamos em suas chamas), enquanto queimamos, começamos a entrever que talvez, poderíamos noa aclimatar. Passados mil anos, um diabo nos pergunta com cara circunspeta se sofremos ainda. respondemos que a parte da rotina é muito pior que a parte do sofrimento. Por fim chega o dia em que poderíamos abandonar o inferno, mas energicamente rechaçamos tal oferecimento, pois quem renuncia a um costume querido?
1956
Virgilio Piñera in Contos Frios.
Tradução: Teresa Cristófani Barreto
A Santíssima Trindade:

Lou von Salomé, Paul Rée e Nietzsche; foto de Jules Bonet.
“A fotografia chegou ontem. Nietzsche está soberbo; você e eu, monstruosos, podemos discutir quem deveria ganhar o prêmio de feiúra”.
Carta de Salomé à Paul Rée, traduzida para o inglês por Peter Gay; então traduzida por mim.
Era o dia 13 de maio de 1882. Nietzsche, o filósofo Paul Rée e Lou von Salomé, voltavam do Parque dos Leões, em Lucerna, onde haviam concordado, para alívio de todos, que Nietzsche e Lou não ficariam noivos. Lou argumentou que o casamento acabaria com a pensão à qual ela tinha direito por ser filha de um falecido general do exército russo, e, pior do que isso, macularia a pureza de seu plano visionário de viverem juntos, os três, num lar aconchegante, casto e de altos ideais, lendo e estudando. Conseguiram então restabelecer o equilíbrio da “Santíssima Trindade”.


