Disillusionment of Ten O’Clock – Wallace Stevens

Desilusão das Dez Horas
As casas são assombradas
Por camisolas brancas.
Nenhuma é verde,
Nem roxa com bainha verde,
Nem verde com bainha amarela,
Nem amarela com bainha azul.
Nenhuma delas é estranha,
Com meias de renda
E faixas de contas.
Ninguém vai sonhar
Com caramujos e orangotangos.
Só um ou outro marinheiro velho
Bêbado dorme de botas
E pega tigres
Em dia vermelho.
Wallace Stevens
Tradução: Paulo Henriques Britto

Disillusionment of Ten [...]

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O gatinho

Havia um gatinho que todos os fins de tarde se aproximava do dono e lhe lambia os sapatos com a sua língua minúscula.
Vencendo uma certa timidez e uma certa precaução higiênica, o homem um dia decidiu descalçar-se para observar se o gato lhe lambia os pés como fazia aos sapatos.
Foi aí que o tigre, que [...]

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Três poemas e um desenho

Le chat, 2008 – Priscila Manhães.
.
Invocação
O que peço à poesia
não que ela me baste
mas que me dê
a medida do possível,
a certeza do que basta.
(E a poesia me pede:
não o que ainda falta
mas o que excede
à palavra mais exata,
a plenitude sensível.)

Madrugada
Um gato preto no asfalto,
a poça de luz branca
de uma lâmpada de mercúrio.
Na rua deserta germina
uma [...]

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In a nutshell

Heat

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Wallace Stevens

The Poem That Took The Place Of A Mountain
There it was, word for word,
The poem that took the place of a mountain.
He breathed its oxygen,
Even when the book lay turned in the dust of his table.
It reminded him how he had needed
A place to go to in his own direction,
How he had recomposed the pines,
Shifted [...]

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Monty Python

“The Philosophers Song” dos Monty Python.
Sim, para ocupar espaço, que falta tempo para escrever.
(Ouça a música)
Oh… Immanuel Kant was a real pissant
Who was very rarely stable
Heidegger, Heidegger was a boozy beggar
Who could think you under the table
David Hume could out-consume
Willhelm Friedrich Hegel
And Wittgenstein was a beery swine
Who was just as schloshed as Schlegel
There’s nothing Nietzsche [...]

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Fábulas revisitadas (1)

.
Le Lièvre et la Tortue
Ofegante e pouco antes de desabar no chão, a Lebre perguntou à Tartaruga:
- Como é possível? Você? Você ganhar a corrida?
E a tartaruga, olhando as unhas, sussurrou:
- Sinto muito, mas esqueci de lhe dizer que meu outro nome é Morte.

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Realidade e sonho de Fellini

8½ (Otto e mezzo), 1963.

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