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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

Três poemas e um desenho

Le chat - Priscila Manhães
Le chat, 2008 – Priscila Manhães.

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Invocação

O que peço à poesia
não que ela me baste
mas que me dê
a medida do possível,
a certeza do que basta.
(E a poesia me pede:
não o que ainda falta
mas o que excede
à palavra mais exata,
a plenitude sensível.)

Madrugada

Um gato preto no asfalto,
a poça de luz branca
de uma lâmpada de mercúrio.
Na rua deserta germina
uma incandescência fria
como a da lua sobre um pinheiro.

A borboleta

Ela passeia sozinha
sem rumo e sem rumor.
Aparece, embora ela seja
no incerto modo uma essência,
pois basta uma só borboleta
para que o ar se perfume
e a gente queira adejar
com ela nas adjacências.

Paulo Neves, em “viagem, espera”.

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