Enyo e a Carta XV
Alguns esclarecimentos sobre esta postagem. Enyo é a mensageira de Ares, amante de carnificina e sangue. Nos campos de batalha, está sempre atenta, deliciada, aos urros de dor, aos gritos de guerra, aos suspiros dos agonizantes.
E a carta XV? Uma discussão clássica divide os latinistas quando se trata de estabelecer a autenticidade da Carta XV, que aparece nos velhos manuscritos das Cartas das heroínas (Heroidum epistulae – lembremos que o substantivo feminino herois, ides se traduz geralmente por “heroínas”, significando uma semideusa, filha de um celeste com criatura mortal), mas não figura na principal tradução, feita em prosa grega no final do século XII, pelo monge bizantino Planúdio. Em nome do “senso comum” muitas edições excluíram essa carta. Um exemplo é a edição Oxford, de 1874; onde A. Palmer excluiu a carta, mas ela reaparece, em 1998, na segunda edição. Uma garantia suplementar é próprio poeta declarando em Amores: “eu ensino os preceitos do terno amor; escrevi a carta de Penélope a Ulisses; as que serão lidas por Páris, Macareus, Jasão, Hipólito e seu pai; repito das palavras de Dido infeliz e as daquela que tem nas mãos a lira Aônia”: et Aoniam Lesbis amata lyram, isto é, Safo de Lesbos.