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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

Ernesto Sábato

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(pintura de Sábato)

E, assim como o cão, ao sentir de repente mais próximo o mistério procurado, começa a cavar com fervor febril e quase alucinado (já alheio ao mundo exterior, alienado e demente, pensando e sentindo aquele único e poderoso mistério agora tão perto), assim ele acometia o corpo de Alejandra, tentava entrar nela até o fundo escuro do doloroso enigma: cavando, mordendo, penetrando freneticamente e tentando perceber cada vez mais distantes os fracos rumores da alma secreta e escondida daquela criatura tão sangrentamente próxima e tão desconsoladoramente distante. E, enquanto Martín a buscava, Alejandra talvez lutasse, em sua própria ilha, gritando palavras cifradas que para ele, Martín, eram ininteligíveis, e para ela, Alejandra, provavelmente inúteis, e para ambos, desesperadoras.
E depois, como num combate que deixa o campo coberto de cadáveres e não serviu para nada, ambos ficaram em silêncio.

Ernesto Sábato, em Sobre Heróis e Tumbas.

One Comment


  1. lacmg
    Nov 17, 2008

    numa palavra – solidão.

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