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for: ‘January, 2009’

Poem – Tom Clark

Poema

Como instrumentos musicais
Abandonados no campo
As partes de teu sentimento

Se dispõem a conhecer uma quietude
A pura transformação da tua
Vida na arte parece destinada

A nunca acontecer
Não lhe importa

Sente-se espiritual e vivo

Como deve sentir-se o ar
Ao girar no céu azul
Sentes que

Nunca poderá tocar algo ou alguém
De novo
E então o fazes.

Tom Clark
Trad. Priscila Manhães

.

Poem
Like musical instruments / Abandoned in a field / The parts of your feelings // Are starting to know a quiet / The pure conversion of your / Life into art seems destined // Never to occur / You don’t mind // You feel spiritual and alert // As the air must feel / Turning into sky aloft and blue / You feel like // You’ll never feel like touching anything or anyone / Again / And then you do.

Homens (3)

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Javier Bardem, em Vicky Cristina Barcelona.

É um espanhol de boa cepa. Parece um touro erótico de Picasso. Ele tem um apelo com as mulheres que deve ser um carma para ele. E isso brota de forma espantosa na tela“, Fernanda Montenegro já o definiu.

Arte na pele

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Borboletinhas estilo Romero Britto, feitas por mim.

Mais artes na pele, aqui.

Coral – Derek Walcott

Coral

This coral’s shape echoes the hand
It hollowed. Its

Immediate absence is heavy. As pumice,
As your breast in my cupped palm.

Sea-cold, its nipple rasps like sand,
Its pores, like yours, shone with salt sweat.

Bodies in absence displace their weight,
And your smooth body, like none other,

Creates an exact absence like this stone
Set on a table with a whitening rack

Of souvenirs. It dares my hand
To claim what lovers’ hands have never known:

The nature of the body of another.

Coral

A forma deste coral ecoa a mão
que o sustém. Sua

imediata ausência é densa. Como pedra-pome,
como seu seio em minha mão em concha.

Gélido do mar, seu mamilo arranha como a areia,
os poros, como os seus, brilharam com suor salgado.

Corpos em ausência transferem seus pesos,
e seu corpo suave, como nenhum outro,

Cria uma ausência exata como esta pedra
posta numa mesa com uma empalidecida estante

de memórias. Desafia minha mão
a exigir o que as mãos dos amantes jamais souberam:

A natureza do corpo de outrem.

Derek Walcott
Tradução: Priscila Manhães

GERAÇÃO PAISSANDU

Vim, como todo mundo,
do quarto escuro da infância,
mundo de coisas e de ânsias indecifráveis,
de só desejo e repulsa.
Cresci com a pressa de sempre.

Fui jovem, com a sede de todos,
em tempo de seco fascismo.
Por isso não tive pátria, só discos.
Amei, como todos pensam.

Troquei carícias cegas nos cinemas,
li todos os livros, acreditei
em quase tudo por ao menos um minuto,
provei do que pintou, adolesci.

Vi tudo que vi, entendi como pude.
Depois, como de direito,
endureci. Agora a minha boca
não arde tanto de sede.
As minhas mãos é que coçam –
Vontade de destilar
depressa, antes que esfrie,
esse caldo morno da vida.

Paulo Henriques Britto

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