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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

Coral – Derek Walcott

Coral

This coral’s shape echoes the hand
It hollowed. Its

Immediate absence is heavy. As pumice,
As your breast in my cupped palm.

Sea-cold, its nipple rasps like sand,
Its pores, like yours, shone with salt sweat.

Bodies in absence displace their weight,
And your smooth body, like none other,

Creates an exact absence like this stone
Set on a table with a whitening rack

Of souvenirs. It dares my hand
To claim what lovers’ hands have never known:

The nature of the body of another.

Coral

A forma deste coral ecoa a mão
que o sustém. Sua

imediata ausência é densa. Como pedra-pome,
como seu seio em minha mão em concha.

Gélido do mar, seu mamilo arranha como a areia,
os poros, como os seus, brilharam com suor salgado.

Corpos em ausência transferem seus pesos,
e seu corpo suave, como nenhum outro,

Cria uma ausência exata como esta pedra
posta numa mesa com uma empalidecida estante

de memórias. Desafia minha mão
a exigir o que as mãos dos amantes jamais souberam:

A natureza do corpo de outrem.

Derek Walcott
Tradução: Priscila Manhães

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