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for: ‘March, 2009’

Agradáveis supresas

Semana passada recebi três presentinhos de pessoas que conheci através do blog e gostaria de agradecer. Aí estão as fotos dos presentes:

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Recebi via e-mail, uma ilustração minha feita por Bernardo R. Com certeza é uma versão minha dez vezes melhorada.
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Esse waffles é uma delícia! É holandês mas veio de Oslo (!) – enviado por Claudia A., que gentilmente sempre me manda lindas fotos pro blog.

O terceiro também chegou via Correios, é uma camisa com estampas de gatinhos, enviado por Emerson B. Depois posto a foto aqui, é um charme só.

A vocês minha gratidão e carinho.

um poema, uma imagem e uma leitura

Starry Night

mon petit rouge

procuro os teus olhos
em todas as florestas incendiadas
sem razão aparente
os teus olhos são incêndios de ternuras
verdes e vibrantes como as folhas
numa primavera de paz

procuro os teus ouvidos
na praias desertas
os teus ouvidos são atentas auscultações
ocultos como o mar
no âmago de um búzio

procuro a tua boca
numa igreja em ruínas
a tua boca é um sussurro terno
preciosa como as bebidas
nos claustros de um mosteiro

procuro tua barba
nos retratos de van gogh
a tua barba é uma noite estrelada
suntuosa como traços de um gênio

entendo então que és uma idéia
que eu jamais poderei encontrar
porque o teu coração
é um enigma que esconde
o anjo que tu és

priscila manhães
22/03/2009

Fiz essa gravação em casa e ficou baixa, então basta aumentar um pouquinho o volume:

Picasso

15 août XXXV

[ya estoy aquí en el nido que el cordero y el oso - el león y la zebra - el lobo y la pantera - el zorro y el armiño de invierno y de verano - el topo y la chinchilla - el conejo y la marta cibelina con su sangre tejieron arriba en el silencio de la escalera abandonada cuando la fiesta lava la semana y retuerce el pañuelo que llueve el perfume que busca vagabundo su forma en la tristeza de la tarde que con tantas razones extiende en el azul de aceite de la colcha de seda que la uña de su ojo desgarra y en girones ahoga al paisaje que suspira el sitio donde quiere que la colmena haga su hielo]

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15 de agosto de 35

[já estou aqui no ninho que o cordeiro e o urso - o leão e a zebra - o lobo e a pantera - a raposa e o arminho de inverno e de verão - a toupeira e a chinchila – o coelho e a marta-zibelina com seu sangue teceram em silêncio acima da escada abandonada quando a folga lava a semana e retorce o lenço que chove o perfume que busca vagabundo sua forma na tristeza da tarde que com tantas razões estende no azul de azeite da colcha de seda que a unha de seu olho desgarra e em rodopios afoga a paisagem que suspira no lugar onde quer que a colméia faça seu gelo]

Pablo Picasso
Tradução: Priscila Manhães

kleine Freuden

Há quem não gosta, mas eu curto ouvir a voz do poeta lendo seu poema, ler os manuscritos. Acabei de achar uma pequena relíquia. Isso me deixa high.

Homens (4)

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Há homens que confundem gentileza com carência. Vá de reto!

O Gato de Poe

The Black Cat, de Edgar Allan Poe na leitura de Diamanda Galas:

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Se quiser baixar, clique  aqui.

Patas de Pantera

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Miúda e eu lendo o poema Patas de Pantera, do Ademir Assunção.
Pra quem não consegue ler na foto:

O vento frio me mata Um beijo
me recria Quem sabe uma noite
inteira Ou na metade de um dia
Ela pise com patas de pantera
Sobre essas páginas frias
Elegante como quem volta Sem
saber onde ia

O sarcasmo sútil

“O que é uma alma? É fácil defini-la negativamente: é precisamente aquilo que em nós se retrai quando ouvimos falar de fórmulas algébricas.”

Robert Musil, em O Homem sem Qualidades.

Sober Song – Barton Sutter

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(Cena do filme Lost Weekend, 1945)

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Sober Song

Farewell to the starlight in whiskey,
So long to the sunshine in beer.
The booze made me cocky and frisky
But worried the man in the mirror.
Goodnight to the moonlight in brandy,
Adieu to the warmth of the wine.
I think I can finally stand me
Without a glass or a stein.
Bye-bye to the balm in the vodka,
Ta-ta to the menthol in gin.
I’m trying to do what I ought to,
Rejecting that snake medicine.
I won’t miss the blackouts and vomit,
The accidents and regret.
If I can stay off the rotgut,
There might be a chance for me yet.
So so long to God in a bottle,
To the lies of rum and vermouth.
Let me slake my thirst with water
And the sweet, transparent truth.

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Canção sóbria

Adeus à luz das estrelas no uísque
Despeço-me do brilho do sol na cerveja
O porre tornou-me arrogante e brincalhão
Mas inquietou o homem no espelho
Boa noite para a luz do luar no brandy,
Adieu ao calor do vinho
Acho que posso finalmente me suportar
sem um drinque ou chope
Bye-bye ao bálsamo da vodka,
Tchau ao frescor do gim
Estou tentando fazer o que devo,
Rejeitando aquele veneno de cobra.
Não sentirei falta das amnésias etílicas e vômitos,
Dos acidentes e arrependimento
Se puder me manter longe do goró,
Talvez ainda me reste uma chance.
Então adeus ao Deus da garrafa
Às mentiras do rum e do vermute
Deixe-me saciar minha sede com água
E a doce, transparente verdade.

Tradução: Priscila Manhães e Carlos Eduardo Ortolan

Nota: “Snake medicine” é, literalmente, uma espécie de medicamento popular oferecido por curandeiros.

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