Archives
Monthly Archive
for: ‘April, 2009’

Philippe Soupault

Say it with music

As pulseiras de ouro e as bandeiras
as locomotivas os barcos
e o vento salubre e as nuvens
simplesmente os abandono
meu coração é muito pequeno
ou muito grande
e minha vida é curta
não sei exatamente quando sobrevirá minha morte
mas eu envelheço
desço os passos cotidianos
deixando escapar uma prece de meus lábios
A cada andar há um amigo que me espera
é um ladrão
sou eu
não vejo mais nada no céu
além de uma única estrela ou uma única nuvem
segundo minha tristeza ou minha alegria
não posso mais abaixar a cabeça
ela é muito pesada
Em minhas mãos não sei mais
se seguro bolhas de sabão ou balas de canhão
Eu caminho
Eu envelheço
mas meu sangue rubro meu precioso sangue rubro
percorre minhas veias
guiando antes dele as memórias do presente
mas minha sede é muito grande
paro novamente e espero
a luz
Paraíso paraíso paraíso

Philippe Soupault
Tradução: Priscila Manhães Lerner

.
Say it with Music
Les bracelets d’or et les drapeaux / les locomotives les bateaux / et le vent salubre et les nuages / je les abandonne simplement / mon cœur est trop petit / ou trop grand / et ma vie est courte / je ne sais quand viendra ma mort exactement / mais je vieillis / je descends les marches quotidiennes / en laissant une prière s’échapper de mes lèvres / A chaque étage est-ce un ami qui m’attend / est-ce un voleur / est-ce moi / je ne sais plus voir dans le ciel / qu’une seule étoile ou qu’un seul nuage / selon ma tristesse ou ma joie / je ne sais plus baisser la tête / est-elle trop lourde / Dans me mains je ne sais pas non plus / si je tiens des bulles de savon ou de boulets de canon / je marche / je vieillis / mais mon sang rouge mon cher sang rouge / parcourt mes veines / en chassant devant lui les souvenirs du présent / mais ma soif est trop grande / je m’arrête encore et j’attends / la lumière / Paradis paradis paradis

das constelações

Photobucket

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Chet Baker – Embraceable You.

Dans les étoiles
Para B., com ternura.

Com os corpos afundados em desejos
Conhecemos êxtases coloridos
Nossos pensamento nascem e amadurecem
Em cada um de nossos olhares

Tais maravilhas não florescem em vão
Sua graça é esguia campânula – ternura e loucura -
Que sobe por nossa vida, estréia nosso porvir
Em meio a estrelas

Priscila Manhães Lerner

A beleza: Una y otra vez y otra vez

Photobucket
One Thousand and One Nights – Matisse.

.
UMA REPRESENTAÇÃO BONITA DO AMOR…

Uma representação bonita do amor
Deveria voltar sempre sobre si mesma
Uma e outra vez e outra vez
E assim indefinidamente
Deveriam repetir-se exatamente
Os mesmos gestos
Os mesmo movimentos
O mesmo ruído dos beijos
As mesmas ondulações
De modo que a reprodução cinematográfica
Sumamente acelerada
De todos estes coitos sucessivos
Em pequenos retângulos situados
Em cima das mesas e sobre as paredes
Pudessem servir de instrumento regulador
Da marcha do tempo
E ser denominado
Relógio de amor.

Emilio Adolfo Westphalen
Tradução: Priscila Manhães Lerner
.

UNA REPRESENTACIÓN HERMOSA DEL AMOR…
Una representación hermosa del amor / Debería volver siempre sobre sí misma / Una y otra vez y otra vez / Y así indefinidamente / Deberían repetirse exactamente / Los mismos gestos Los mismos movimientos / El mismo ruido de besos / Las mismas ondulaciones / De modo que la reproducción cinematográfica / Sumamente acelerada / De todos estos coitos sucesivos / En pequeños rectángulos situados / Encima de las mesas y sobre las paredes / Pudiera servir de instrumento regulador / De la marcha del tiempo / Y ser denominado / Reloj de amor.

Beautifully Broken


Gov’t Mule – Beautifully Broken

Beautifully broken
Shaped by the wind
Dangerously twisted
Here I go again, here I go again

a pedra

sempre a mesma pretensão:
cinzelar tua vida para que ela se torne outra
como se quisesses extrair teu modelo
da profundeza da pedra
acreditanto assim libertá-la.

Fotografias

Photobucket
Fotografia de Paulinha Lerner


Você já quis oferecer a alguém um céu tão bonito?

Ele só tinha um blog fechado para convidados. Amigo e grande fotógrafo, está preparando sua exposição que, tenho orgulho de dizer, farei parte – em breve postarei infos. Ela é a minha caçulinha, começou a fotografar há pouco tempo e como a irmã tem algumas obsessões, uma delas é capturar céus com sua câmera, céus lindos, coloridos e cheios de poesia. Os dois ainda não postaram muitas fotos, mas não deixem de acompanhar:

- Glauco Reis
- Paulinha Lerner

Voragem

Photobucket
Paul Klee

“A sede da alma é ali onde o mundo interior e o mundo exterior se tocam. Onde eles se interpenetram – está ela em cada ponto da interpenetração.”

Novalis in Pólen fragmentos, diálogos, monólogo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Photobucket
Paul Klee – Fire at full moon, 1933.

Quem és tu

Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?

A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.

A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

um presente: a beleza.

Photobucket
Paul Klee – Federpflanze, 1919.
.

Há toda uma verdade nestes lábios secos,
ferinos; de furibunda paixão —

e em toda agressão de espinhos,
de ramos de palavras que atiro contra mim

que insisto em alimentar nesta licantropia
de sensações absurdas —

um grito da garganta pétrea
brilha desgovernado na embriaguez
destes lábios;

escurece desvairado na volúpia do teu riso:

*uma constelação de flores*

e não há sequer imagem:
tocar-te os sons — as frases rítmicas
e o suspiro silencioso do pensamento

sei que imagino uma canção
de pálpebras cerradas,

que atiro areia aos olhos do destino
e me inscrevo virado ao avesso

uma escritura esverdeada
de quem se acende
e ferve o próprio sangue
na plenitude de si

e estremece a si próprio
defronte do obscuro — em fogo
deslumbrado

b.p.l2.f.

Paysages – Henri Michaux

Paysages

Paysages paisibles ou désolés.
Paysages de la route de la vie plutôt que de la surface de la Terre.
Paysages du Temps qui coule lentement, presque immobile et parfois comme en arrière.
Paysages des lambeaux, des nerfs lacérés, des « saudade ».
Paysages pour couvrir les plaies, l’acier, l’éclat, le métal, l’époque, la corde au cou, la mobilisation.
Paysages pour abolir les cris.
Paysages comme on se tire un drap sur la tête.

Paisagens

Paisagens aprazíveis ou desoladas
Paisagens do caminho da vida mais que da superfície da Terra
Paisagens do Tempo que flui lentamente, quase imóvel e às vezes retrocedendo
Paisagens de farrapos, e nervos lacerados, de saudade.
Paisagem para cobrir a ferida, o aço, o estilhaço, o metal, a época, a corda no pescoço, a mobilização.
Paisagem para abolir os gritos.
Paisagem como quem tapa a cabeça com um lençol.

Henri Michaux
Tradução: Priscila Manhães Lerner

Page 1 of 212»

Categorias

Arquivos