Philippe Soupault

Say it with music
As pulseiras de ouro e as bandeiras
as locomotivas os barcos
e o vento salubre e as nuvens
simplesmente os abandono
meu coração é muito pequeno
ou muito grande
e minha vida é curta
não sei exatamente quando sobrevirá minha morte
mas eu envelheço
desço os passos cotidianos
deixando escapar uma prece de meus lábios
A cada andar há um amigo que me [...]

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das constelações

Chet Baker – Embraceable You.
Dans les étoiles
Para B., com ternura.
Com os corpos afundados em desejos
Conhecemos êxtases coloridos
Nossos pensamento nascem e amadurecem
Em cada um de nossos olhares
Tais maravilhas não florescem em vão
Sua graça é esguia campânula – ternura e loucura -
Que sobe por nossa vida, estréia nosso porvir
Em meio a estrelas
Priscila Manhães Lerner

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A beleza: Una y otra vez y otra vez

One Thousand and One Nights – Matisse.
.
UMA REPRESENTAÇÃO BONITA DO AMOR…
Uma representação bonita do amor
Deveria voltar sempre sobre si mesma
Uma e outra vez e outra vez
E assim indefinidamente
Deveriam repetir-se exatamente
Os mesmos gestos
Os mesmo movimentos
O mesmo ruído dos beijos
As mesmas ondulações
De modo que a reprodução cinematográfica
Sumamente acelerada
De todos estes coitos sucessivos
Em pequenos retângulos situados
Em cima das [...]

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Beautifully Broken

Gov’t Mule – Beautifully Broken
Beautifully broken
Shaped by the wind
Dangerously twisted
Here I go again, here I go again

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a pedra

sempre a mesma pretensão:
cinzelar tua vida para que ela se torne outra
como se quisesses extrair teu modelo
da profundeza da pedra
acreditanto assim libertá-la.

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Fotografias

Fotografia de Paulinha Lerner

Você já quis oferecer a alguém um céu tão bonito?

Ele só tinha um blog fechado para convidados. Amigo e grande fotógrafo, está preparando sua exposição que, tenho orgulho de dizer, farei parte – em breve postarei infos. Ela é a minha caçulinha, começou a fotografar há pouco tempo e como a [...]

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Voragem

Paul Klee
“A sede da alma é ali onde o mundo interior e o mundo exterior se tocam. Onde eles se interpenetram – está ela em cada ponto da interpenetração.”
Novalis in Pólen fragmentos, diálogos, monólogo.

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Sophia de Mello Breyner Andresen

Paul Klee – Fire at full moon, 1933.
Quem és tu
Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?
A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.
A história da noite é o gesto dos teus [...]

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um presente: a beleza.

Paul Klee – Federpflanze, 1919.
.
Há toda uma verdade nestes lábios secos,
ferinos; de furibunda paixão —
e em toda agressão de espinhos,
de ramos de palavras que atiro contra mim
que insisto em alimentar nesta licantropia
de sensações absurdas —
um grito da garganta pétrea
brilha desgovernado na embriaguez
destes lábios;
escurece desvairado na volúpia do teu riso:
*uma constelação de flores*
e não há sequer [...]

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Paysages – Henri Michaux

Paysages
Paysages paisibles ou désolés.
Paysages de la route de la vie plutôt que de la surface de la Terre.
Paysages du Temps qui coule lentement, presque immobile et parfois comme en arrière.
Paysages des lambeaux, des nerfs lacérés, des « saudade ».
Paysages pour couvrir les plaies, l’acier, l’éclat, le métal, l’époque, la corde au cou, la mobilisation.
Paysages pour [...]

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Georgios Seféris

Em 1935 Séferis escreveu um poema intitulado Santorini, apresentado numa coletânea intutilada Gimnopédia. É um poema amargo e pessimista. Ferrugem e cinza – elementos e cores de Santorini – tornam-se símbolos de uma sobrevivência fantômica, de uma escória de fogo criador, de uma petrificação do tempo outrora vivo. A vida edificou-se ali sobre lava e [...]

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Da tradução

Uma tradução é, seja gramatical, ou modificadora, ou mítica. Traduções míticas são traduções no mais alto estilo. Expõem o caráter puro, perfeito e acabado da obra de arte individual. Não nos dão a obra de arte efetiva, mas o ideal dela. Ainda não existe, ao que creio, nenhum modelo inteiro dela. No espírito de muitas [...]

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Mon Sang – Henri Michaux

(Imagem: Ruth Palmer)
.
Mon sang
Le boullon de mon sang dans lequel je patauge
Est mon chantre, ma laine, mes femmes.
Is est sans croûte. Il s´enchante, il s´épand.
Il m´emplit de vitres, de granits, de tessons.
Il me déchire. Je vis dans les éclats.
Dans la toux, dan l´atroce, dans la transe
Il construit mes châteaux,
Dans des toiles, dans des trames, dans [...]

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