Da tradução
Uma tradução é, seja gramatical, ou modificadora, ou mítica. Traduções míticas são traduções no mais alto estilo. Expõem o caráter puro, perfeito e acabado da obra de arte individual. Não nos dão a obra de arte efetiva, mas o ideal dela. Ainda não existe, ao que creio, nenhum modelo inteiro dela. No espírito de muitas críticas e descrições de obras de are encontram-se porém claros traços. É preciso para isso uma cabeça, onde espírito poético e espírito filosófico se interpenetraram em sua inteira plenitude. A mitologia grega é em parte uma tal tradução de uma religião nacional. Também a madona moderna é um tal mito.
Traduções gramaticais são as traduções no sentido costumeiro. Exigem muita erudição – mas apenas aptidões discursivas.
As traduções modificadoras requerem, se devem ser genuínas, o mais alto espírito poético. Resvalam facilmente para o travesti – como o Homero em jambos de Bürguer – o Homero de Pope – as traduções francesas em seu conjunto. O verdadeiro tradutor dessa espécie tem na realidade de ser o próprio artista e poder dar a idéia de todo assim ou assim a seu bel-prazer – Tem de ser o poeta do poeta e assim poder fazê-lo falar segundo sua própria idéia e a do poeta ao mesmo tempo. Numa relação semelhante está o gênio da humanidade com cada homem individual. Não meramente livros, tudo pode ser traduzido destas três maneiras.
Novalis in Pólen fragmentos, diálogos, monólogo.
Cadu
Que bacana, baixinha. Como descobriu a citação, tão adequada ao seu interesse pela arte da tradução?
Muitos beijos
C.
Priscila Manhães
Rá!, um cara aí me deu o livro.
Beijão, Cadu.
Priscila Manhães
Já disse que você acaba com minha moral me chamando de baixinha… grrr
Fred Matos
“O verdadeiro tradutor dessa espécie tem na realidade de ser o próprio artista e poder dar a idéia de todo assim ou assim a seu bel-prazer – Tem de ser o poeta do poeta e assim poder fazê-lo falar segundo sua própria idéia e a do poeta ao mesmo tempo. “
Estas são as palavras que não encontrei quando comentei a sua tradução do “Mon Sang” de Henri Michaux: na minha opinião você é “a poeta do poeta”
Beijos, Pri