dois poemas de bruno prado

“O inferno é branco, tem um espelho dentro”
Herberto Helder
Há um movimento na contração dos astros;
um símbolo leonino lambendo o sangue do sol —
uma menina de olhos verdoengos brincando com a obscuridade,
no lancinante jogo de espelhos;
há todo um ímpeto sísmico a cortar com a lâmina o tempo,
rasgar as entranhas do instante — devorar a hora;
afogar a [...]

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Domingo – Philippe Soupault

Le Robe de Mariée – Paul Delvaux.
.
Dimanche
L´avion tisse les fils télégraphiques
et la source chante la même chanson
Au rendez-vous de cochers l´apéritif est orangé
mais les mécaniciens des locomotives ont les yeux blancs
la dame a perdu son sourire dans les bois
.
Domingo
O avião tece os fios telegráficos
e a fonte canta a mesma canção
No encontro dos condutores os drinques [...]

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A fera – Max Martins

A fera
Das cavernas do sono das palavras, dentre
os lábios confortáveis de um poema lido
e já sabido
voltas
para ela – para a terra
maleável e amante. Dela
de novo te aproximas
e de novo a enlaças firme sobre o lago
do diálogo, moldas
…………………………novo destino
Firme penetra e cresce a aproximação conjunta
E ocupa um centro: A morte, a fera
da vida
te lambendo
Max Martins

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Dois poemas de Armando Freitas Filho

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Noctívago
Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
porque não? na noite escassa
com um insolúvel flautim
CDA
para Eduardo Guerreiro
Tudo o que o dia indigesto engendra
serve para entortar a noite.
Serve para cariar o sono
interromper a linha da cama
movido pela dor da idéia fixa.
Primeiro, pontilhando, depois –
drástico, em cheio, – direto no cérebro
no pensamento comprimido –
pelas [...]

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Jill Scott

“A Long Walk” e “Golden” – Jill Scott.

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O melhor bolo de chocolate do mundo

Eu ia fotografar antes de comer, mas não deu.

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No Rio: Olhar direto: fotografias de Paul Strand

Young Boy – 1951.

The Family: Luzzara – 1953.

Wall Street – 1915.
Exposição da obra do fotógrafo americano Paul Strand (1890-1976). A seleção de 107 fotos apresenta uma abordagem direta da vida nas ruas da metrópole industrial, o que era incomum naquele contexto. Naturezas-mortas, closes de utensílios domésticos e máquinas revelavam um novo ponto de vista sobre [...]

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uma promessa rubra

Minhas pálpebras se fecham, lá fora a noite governa irascível, aqui dentro há um silêncio que saboreia a cumplicidade. Há em nossa história essa vigília nas muralhas do verbo, essa insônia dos lábios, cúmplices da eternidade. Um vento que abranda meu corpo e traz o barulho dos passos, o hálito da fome cercando a poesia, a pele. [...]

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Em Sampa: Parcerias: A Voz da Poesia

23 de maio (18h30) – Edvaldo Santana / Ademir Assunção
06 de junho (18h30) – Fernanda D’Umbra (Fábrica de Animais) / Marcelo Montenegro
20 de junho (18h30) – Carlos Careqa / Antonio Thadeu Wojciechowski
04 de julho (18h30) – Neuza Pinheiro / Rodrigo Garcia Lopes
18 de julho (18h30) – Vanessa Bumagny / Frederico Barbosa
08 de agosto (18h30) – [...]

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My Sober Song


My Sober Song
Desço só e sóbrio
A Teodoro Sampaio
Nem uma gota
Desde o despertar do domingo
Com o ressoar de todos os sinos de todas as catedrais
Em minha cabeça
Castigada
Pelo uísque
E a sua lembrança
Desço só e sóbrio a Teodoro Sampaio
Com meus tênis velhos e mochila surrada
[o que, dada minha idade provecta, já é por si, tão cômico}
“Você tem fogo, [...]

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Gustavo Adolfo Bécquer

XXI
¿Qué es poesía?, dices mientras clavas
en mi pupila tu pupila azul.
¡Qué es poesía! ¿Y tú me lo preguntas?
Poesía… eres tú.
Gustavo Adolfo Bécquer
Rimas, p. 1871.

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Michel Leiris

The Poet with the Birds, 1911 – Marc Chagall.
.
Poésie?
Cette chose sans nom
d’entre rire et sanglot
qui bouge en nous,
qu’il faut tirer de nous
et qui,
diamant de nos années
après le sommeil de bois mort,
constellera le blanc du papier.
.
Poesia?
Esta coisa sem nome
entre choro e riso
que se move em nós
que surge em nós
e que,
diamante de nossos anos
após o sono da [...]

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PUTNAM COUNTY – Tom Waits

PUTNAM COUNTY
Tom Waits
Acho que as coisas foram sempre sossegadas
Para os lados de Putnam County
Tímida e sonoleta por entre os perímetros da estrada de duas vias
Que se desenrolava como uma pista de dança de asfalto
Por onde todos os velhos passeavam de jardineiras e botas novas
Mentindo sobre as suas vidas e os lugares onde tinham ido
Sugando a Coca-Cola e cuspindo [...]

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