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for: ‘May, 2009’

dois poemas de bruno prado

“O inferno é branco, tem um espelho dentro”
Herberto Helder

Há um movimento na contração dos astros;
um símbolo leonino lambendo o sangue do sol —

uma menina de olhos verdoengos brincando com a obscuridade,
no lancinante jogo de espelhos;

há todo um ímpeto sísmico a cortar com a lâmina o tempo,
rasgar as entranhas do instante — devorar a hora;
afogar a densidade da noite,
dos lábios,
da alvorada;

há uma busca irrealizável
a incutir a ânsia pela loucura, como incrustar a brasa ao peito,

ou lamber a víbora como se exultasse um diamante —
língua sobre presas

a queimar a juba dos pensamentos natos —

um sol — queima-se a si próprio;
ascende-se em extinção

__

A tocata
a murmurar nos teus lençóis de seda

e iluminar os braços do dia
defronte teus olhos amanhecidos

a brisa do sono
adormecida na boca —
o rio de lírios amarelos ao vento

a melodia escorrida por teus ouvidos
a olvidar os astros ocultos na luz do sol

o sono,
o som dourado de teus lábios,
o sorrir,
as janelas de pálpebras cerradas;
semi-cerradas —

a cerração da noite
a dizer de dois pulsos — dois felinos.
um novelo de garras. e agarros…

o ronronar do dia
sobre a lembrança da tarde —

a luz do sol parece tocar os lençóis

b.p.l2.f.
Poemas do livro inédito: sete e 8

Domingo – Philippe Soupault

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Le Robe de Mariée – Paul Delvaux.
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Dimanche

L´avion tisse les fils télégraphiques
et la source chante la même chanson
Au rendez-vous de cochers l´apéritif est orangé
mais les mécaniciens des locomotives ont les yeux blancs
la dame a perdu son sourire dans les bois

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Domingo

O avião tece os fios telegráficos
e a fonte canta a mesma canção
No encontro dos condutores os drinques são alaranjados
mas os olhos dos maquinistas são brancos
a moça tem perdido seu sorriso na floresta

Philippe Soupault
Tradução: Priscila Manhães Lerner

A fera – Max Martins

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A fera

Das cavernas do sono das palavras, dentre
os lábios confortáveis de um poema lido
e já sabido
voltas

para ela – para a terra
maleável e amante. Dela
de novo te aproximas

e de novo a enlaças firme sobre o lago
do diálogo, moldas
…………………………novo destino

Firme penetra e cresce a aproximação conjunta
E ocupa um centro: A morte, a fera
da vida
te lambendo

Max Martins

Dois poemas de Armando Freitas Filho

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Noctívago

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
porque não? na noite escassa
com um insolúvel flautim

CDA

para Eduardo Guerreiro

Tudo o que o dia indigesto engendra
serve para entortar a noite.
Serve para cariar o sono
interromper a linha da cama
movido pela dor da idéia fixa.

Primeiro, pontilhando, depois –
drástico, em cheio, – direto no cérebro
no pensamento comprimido –
pelas paredes do quarto, onde se tortura
no cimento armado e feroz –
de pé, de quatro, no catre, deitado à força
sobre o lençol irregular e azedo.

O mostrador dos relógios, no escuro
oculta o número da hora,
o tempo pára no espaço e passa.
O tempo corre, inominável, inumerado
sem ter quem cure o coração que morre.

Mors ego sum mortis: vocor agnus sum leo forts

Tatuagem forte em lugar nobre.
Verter, perto da fonte de cabelo
para a língua próxima, a sensação
emaranhada. Meu latim longínquo
claudica, mas os sentidos estão abertos:
a morte da morte morde o ombro
chamam-me cordeiro, e meu nome
prevalece- com a força do leão.

Jill Scott


“A Long Walk” e “Golden” – Jill Scott.

O melhor bolo de chocolate do mundo

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Eu ia fotografar antes de comer, mas não deu.

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No Rio: Olhar direto: fotografias de Paul Strand

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Young Boy – 1951.

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The Family: Luzzara – 1953.

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Wall Street – 1915.

Exposição da obra do fotógrafo americano Paul Strand (1890-1976). A seleção de 107 fotos apresenta uma abordagem direta da vida nas ruas da metrópole industrial, o que era incomum naquele contexto. Naturezas-mortas, closes de utensílios domésticos e máquinas revelavam um novo ponto de vista sobre o cotidiano, além de estarem estreitamente vinculadas à pintura de vanguarda de sua época, como o cubismo e o abstracionismo geométrico . Além do panorama do início de suas atividades, nos anos 1910 e 1920, destacam-se também os retratos de comunidades em diferentes lugares do globo, que o artista desenvolveu com sistemática a partir da segunda metade dos anos 1940.

Paralelamente à mostra, a programação de cinema do IMS oferece ao público a oportunidade de conhecer as três principais obras cinematográficas de que Paul Strand participou: Manhatta (1921), Redes (1936) e Native Land (1942).

No: Instituto Moreira Salles

De 29 de abril a 5 de julho
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Fone: 21 3284-7400
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O filme:


Manhattan, 1921 – Paul Strand.

Filmes de Strand: sessões todas as quintas e domingos de maio, às 16h.  Hoje, 24 de maio: Redes, de Fred Zinnemann; Manhatta, de Paul Strand e Charles Sheeler / Dias 28 e 31 de maio: Native Land, de Leo Hurwitz e Paul Strand; Manhatta, de Paul Strand e Charles Sheeler.

uma promessa rubra

Minhas pálpebras se fecham, lá fora a noite governa irascível, aqui dentro há um silêncio que saboreia a cumplicidade. Há em nossa história essa vigília nas muralhas do verbo, essa insônia dos lábios, cúmplices da eternidade. Um vento que abranda meu corpo e traz o barulho dos passos, o hálito da fome cercando a poesia, a pele. Uma promessa rubra. Sua pele guarda o calor dos sonhos exatamente antes do destino.

Em Sampa: Parcerias: A Voz da Poesia

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23 de maio (18h30) – Edvaldo Santana / Ademir Assunção
06 de junho (18h30) – Fernanda D’Umbra (Fábrica de Animais) / Marcelo Montenegro
20 de junho (18h30) – Carlos Careqa / Antonio Thadeu Wojciechowski
04 de julho (18h30) – Neuza Pinheiro / Rodrigo Garcia Lopes
18 de julho (18h30) – Vanessa Bumagny / Frederico Barbosa
08 de agosto (18h30) – Kleber Albuquerque / André Sant’Anna

Local: Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Avenida Henrique Schaumann, 777 – fone 11 3082-5023

Mais infos aqui.

My Sober Song

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My Sober Song

Desço só e sóbrio
A Teodoro Sampaio
Nem uma gota
Desde o despertar do domingo
Com o ressoar de todos os sinos de todas as catedrais
Em minha cabeça
Castigada
Pelo uísque
E a sua lembrança
Desço só e sóbrio a Teodoro Sampaio
Com meus tênis velhos e mochila surrada
[o que, dada minha idade provecta, já é por si, tão cômico}

“Você tem fogo, moço?” indaga a desejável garota de olhos oblíquos orientais corpo de gazela lépida enquanto cai a noite e a tarde se esvai e eu saco meu Zippo eu Billy the Kid o mais rápido acendedor de Camels deste lado dos trópicos, baby.
A Toca do Coelho é uma churrascaria-cachaçaria-restaurante muito tradicional, que impõe respeito pelo garçom tão solícito e elegante.
Um dos dez milhões de botequins do planeta nos quais eu gostaria de estar com você
Ao som desse blues bolero fox-trote samba-canção
Que música, o diabo
Escrever uns versos ruins e
Roubar um beijo
Desço só e sóbrio pela Teodoro Sampaio
enquanto zunem os ônibus
As lojas de guitarras exibem tão sexies Les Pauls e Stratocasters
Uma Janis Joplin vetusta tatuada de Pinheiros emborca um chope como na canção do Tom Waits enquanto narra inomináveis sandices
[que apenas suponho, nem lá ouço tão bem]
Desço só e sóbrio
Pela Teodoro Sampaio
Mas não preciso de um drinque,
Não preciso de nenhuma droga,
Só você sabe
Do que preciso.

Carlos Eduardo Ortolan Miranda

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