“O inferno é branco, tem um espelho dentro”
Herberto Helder
Há um movimento na contração dos astros;
um símbolo leonino lambendo o sangue do sol —
uma menina de olhos verdoengos brincando com a obscuridade,
no lancinante jogo de espelhos;
há todo um ímpeto sísmico a cortar com a lâmina o tempo,
rasgar as entranhas do instante — devorar a hora;
afogar a densidade da noite,
dos lábios,
da alvorada;
há uma busca irrealizável
a incutir a ânsia pela loucura, como incrustar a brasa ao peito,
ou lamber a víbora como se exultasse um diamante —
língua sobre presas
a queimar a juba dos pensamentos natos —
um sol — queima-se a si próprio;
ascende-se em extinção
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A tocata
a murmurar nos teus lençóis de seda
e iluminar os braços do dia
defronte teus olhos amanhecidos
a brisa do sono
adormecida na boca —
o rio de lírios amarelos ao vento
a melodia escorrida por teus ouvidos
a olvidar os astros ocultos na luz do sol
o sono,
o som dourado de teus lábios,
o sorrir,
as janelas de pálpebras cerradas;
semi-cerradas —
a cerração da noite
a dizer de dois pulsos — dois felinos.
um novelo de garras. e agarros…
o ronronar do dia
sobre a lembrança da tarde —
a luz do sol parece tocar os lençóis
b.p.l2.f.
Poemas do livro inédito: sete e 8








