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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

um poema

Algumas jóias na relva. Alguns diamantes nas trevas.

Mas a borboleta que acabou de desabrochar esta noite
nos anuncia o dia, trêmulo no bico da aurora.

A poesia é o pedal de uma bicicleta rutilante. Nela
todos crescem. Os caminhos são brancos. As
flores falam. Minúsculas meninas surgem a
todo momento de suas pétalas. Esta excursão
não tem fim.

Instante suspenso como o brilho de um florim
exatamente antes de cair. E que desaparece exatamente depois
da queda, por sorte pousam nos ramos nus,
fica uma penugem rosa como uma libação do vento.

Meus passos ressoam no feltro estendido da minha sombra.

Saúdo teu eco, esperança de minhas montanhas.

Um botão na luz, uma tarântula na escuridão,
exatamente entre eles o grito lamentoso da noite que cai.

Toma minhas palavras e dá-me tuas mãos.

Priscila Manhães Lerner

One Comment


  1. Fred Matos
    May 19, 2009

    Maravilha de poema, Pri.
    Parabéns, querida.
    Beijos

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