My Sober Song
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My Sober Song
Desço só e sóbrio
A Teodoro Sampaio
Nem uma gota
Desde o despertar do domingo
Com o ressoar de todos os sinos de todas as catedrais
Em minha cabeça
Castigada
Pelo uísque
E a sua lembrança
Desço só e sóbrio a Teodoro Sampaio
Com meus tênis velhos e mochila surrada
[o que, dada minha idade provecta, já é por si, tão cômico}
“Você tem fogo, moço?” indaga a desejável garota de olhos oblíquos orientais corpo de gazela lépida enquanto cai a noite e a tarde se esvai e eu saco meu Zippo eu Billy the Kid o mais rápido acendedor de Camels deste lado dos trópicos, baby.
A Toca do Coelho é uma churrascaria-cachaçaria-restaurante muito tradicional, que impõe respeito pelo garçom tão solícito e elegante.
Um dos dez milhões de botequins do planeta nos quais eu gostaria de estar com você
Ao som desse blues bolero fox-trote samba-canção
Que música, o diabo
Escrever uns versos ruins e
Roubar um beijo
Desço só e sóbrio pela Teodoro Sampaio
enquanto zunem os ônibus
As lojas de guitarras exibem tão sexies Les Pauls e Stratocasters
Uma Janis Joplin vetusta tatuada de Pinheiros emborca um chope como na canção do Tom Waits enquanto narra inomináveis sandices
[que apenas suponho, nem lá ouço tão bem]
Desço só e sóbrio
Pela Teodoro Sampaio
Mas não preciso de um drinque,
Não preciso de nenhuma droga,
Só você sabe
Do que preciso.
Carlos Eduardo Ortolan Miranda
