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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

Dois poemas de Armando Freitas Filho

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Noctívago

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
porque não? na noite escassa
com um insolúvel flautim

CDA

para Eduardo Guerreiro

Tudo o que o dia indigesto engendra
serve para entortar a noite.
Serve para cariar o sono
interromper a linha da cama
movido pela dor da idéia fixa.

Primeiro, pontilhando, depois –
drástico, em cheio, – direto no cérebro
no pensamento comprimido –
pelas paredes do quarto, onde se tortura
no cimento armado e feroz –
de pé, de quatro, no catre, deitado à força
sobre o lençol irregular e azedo.

O mostrador dos relógios, no escuro
oculta o número da hora,
o tempo pára no espaço e passa.
O tempo corre, inominável, inumerado
sem ter quem cure o coração que morre.

Mors ego sum mortis: vocor agnus sum leo forts

Tatuagem forte em lugar nobre.
Verter, perto da fonte de cabelo
para a língua próxima, a sensação
emaranhada. Meu latim longínquo
claudica, mas os sentidos estão abertos:
a morte da morte morde o ombro
chamam-me cordeiro, e meu nome
prevalece- com a força do leão.

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