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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

dois poemas de bruno prado

“O inferno é branco, tem um espelho dentro”
Herberto Helder

Há um movimento na contração dos astros;
um símbolo leonino lambendo o sangue do sol —

uma menina de olhos verdoengos brincando com a obscuridade,
no lancinante jogo de espelhos;

há todo um ímpeto sísmico a cortar com a lâmina o tempo,
rasgar as entranhas do instante — devorar a hora;
afogar a densidade da noite,
dos lábios,
da alvorada;

há uma busca irrealizável
a incutir a ânsia pela loucura, como incrustar a brasa ao peito,

ou lamber a víbora como se exultasse um diamante —
língua sobre presas

a queimar a juba dos pensamentos natos —

um sol — queima-se a si próprio;
ascende-se em extinção

__

A tocata
a murmurar nos teus lençóis de seda

e iluminar os braços do dia
defronte teus olhos amanhecidos

a brisa do sono
adormecida na boca —
o rio de lírios amarelos ao vento

a melodia escorrida por teus ouvidos
a olvidar os astros ocultos na luz do sol

o sono,
o som dourado de teus lábios,
o sorrir,
as janelas de pálpebras cerradas;
semi-cerradas —

a cerração da noite
a dizer de dois pulsos — dois felinos.
um novelo de garras. e agarros…

o ronronar do dia
sobre a lembrança da tarde —

a luz do sol parece tocar os lençóis

b.p.l2.f.
Poemas do livro inédito: sete e 8

4 Comments


  1. Fred Matos
    Jun 01, 2009

    Muito bons os poemas do Bruno Prado.
    Beijos, amiga.


  2. Priscila Manhães
    Jun 01, 2009

    São sim, Fred.
    Beijos!


  3. Claudia
    Jun 03, 2009

    Poemas com boas imagens e aliterações, Pri. Muito bom. Beijo


  4. Priscila Manhães
    Jun 03, 2009

    Beijo, querida.

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