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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

Três poemas de Bruno Prado

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Bruno Prado.

VEREDA

Tua sina te assina esse destino
Konstantinos Kaváfis

Buscar-se um oriente: mística, indomável fera.
Caminho raro — bravio retorno; esquecidiço…

Impulsivamente — faz-se do destino, o roteiro;
Outro sol — indefinida senda — ao impossível…

É ilusão volver — douto velho — tempo fugidio;
Sem mais — asa incinerada — a fuga é o regresso…

Do livro Líquen.

Sobe aos pés
o silêncio do esquecimento —
a palavra profana

uma fúria de solstício
a abrir com os dedos a eternidade;

uma luva sobre a jugular —

as pernas presas,
um mar de espinhos;

a trepadeira de unhas vermelhas
sobre a madrugada;

o sussurro pasmo da inocência
a lamber a face árdua —
repleta de tinta preta sobre o cabelo;

é preciso compreender a fala,
as palavras engolidas pelos lábios

a fúria quebrada no chão escaldante
de tecidos labiais —

é preciso subir as pedras,
lavrar o deserto,
escutar com os olhos
de espanto
a curvatura do silêncio:
fala do outro em espelho

Do livro sete e 8

Fall with me
Through the raving light

Hart Crane

DEGELO —

o sol sobre o peito

a luz

o doce esmero;
vermelhusco —

uma voz
a rir;

ramos,
belíssimos

a cerejeira

antes gelo; pedra —

aflora
agora

um prado

verdoengo;

um peito
esverdinhado

Do livro Fraturas.

4 Comments


  1. Claudia
    Jul 19, 2009

    Poemas ricos e bem acabados! Gostei muito.


  2. Priscila Manhães
    Jul 19, 2009

    Também gosto, querida.
    Um beijo


  3. Paulinha
    Jul 22, 2009

    O bruno escreve mto bem
    Gostei da foto. Coloca o crédito de quem tirou.


  4. Daise
    Jul 23, 2009

    Bonitos poemas!

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