Três poemas de Bruno Prado
VEREDA
“Tua sina te assina esse destino”
Konstantinos Kaváfis
Buscar-se um oriente: mística, indomável fera.
Caminho raro — bravio retorno; esquecidiço…
Impulsivamente — faz-se do destino, o roteiro;
Outro sol — indefinida senda — ao impossível…
É ilusão volver — douto velho — tempo fugidio;
Sem mais — asa incinerada — a fuga é o regresso…
Do livro Líquen.
…
Sobe aos pés
o silêncio do esquecimento —
a palavra profana
uma fúria de solstício
a abrir com os dedos a eternidade;
uma luva sobre a jugular —
as pernas presas,
um mar de espinhos;
a trepadeira de unhas vermelhas
sobre a madrugada;
o sussurro pasmo da inocência
a lamber a face árdua —
repleta de tinta preta sobre o cabelo;
é preciso compreender a fala,
as palavras engolidas pelos lábios
a fúria quebrada no chão escaldante
de tecidos labiais —
é preciso subir as pedras,
lavrar o deserto,
escutar com os olhos
de espanto
a curvatura do silêncio:
fala do outro em espelho
Do livro sete e 8
…
“Fall with me
Through the raving light”
Hart Crane
DEGELO —
o sol sobre o peito
a luz
o doce esmero;
vermelhusco —
uma voz
a rir;
ramos,
belíssimos
a cerejeira
antes gelo; pedra —
aflora
agora
um prado
verdoengo;
um peito
esverdinhado
Do livro Fraturas.

Claudia
Poemas ricos e bem acabados! Gostei muito.
Priscila Manhães
Também gosto, querida.
Um beijo
Paulinha
O bruno escreve mto bem
Gostei da foto. Coloca o crédito de quem tirou.
Daise
Bonitos poemas!