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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

Don Juan, de Lord Byron.

Temperate I am – yet never had a temper;
Modest I am – yet with some slight assurance;
Changeable too – yet somehow idem semper;
Patient – but not enamoured of endurance;
Cheerful – but, sometimes, rather apt to whimper;
Mild – but at times a sort of Hercules furens;
So that I almost think that the same skin
For one without – has two or three within.

Lord Byron
Fragmento 11 do canto XVII.

.
Sou calmo – mas não sou calmo demais;
Modesto – mas com autoconfiança;
Paciente, sim – porém sem muita paz;
Mutável – sem que se note mudança;
Tímido – mas às vezes muito audaz;
Alegre, mas sem rir, porque isso cança;
Como se a minha minha pele, numa tez,
Tivesse, onde não tem, duas ou três.

Tradução Augusto de Campos

.
Genial não sou – mas, às vezes, genioso;
Modesto – mas com certa segurança;
Mutável, sim – mas voluntarioso;
Paciente – sem querer perseverança;
Jovial – mas à lamúria tendencioso;
De boa paz – mas propenso a desprezar.
Chego a pensar, se às vezes me concentro:
Sou dois por fora a cada um por dentro.

Tradução Décio Pignatari

3 Comments


  1. Fred Matos
    Oct 05, 2009

    Pri,

    É só uma brincadeira:

    Sou calmo – mas, às vezes, genioso;
    Modesto – mas com certa segurança;
    Mutável, sempre – sem que se note mudança
    Paciente, sim – mas sem perseverança;
    Alegre – mas, às vezes, apto às lágrimas;
    Leve – mas às vezes com a fúria de Hércules;
    Tanto que eu penso que sob a minha tez,
    Tenho, onde não tem, dois ou três.

    Beijos


  2. Priscila Manhães
    Oct 05, 2009

    Muito bom né, Fred? :)
    Um beijinho


  3. Fred Matos
    Oct 05, 2009

    Eu gosto muito de Byron, Pri.
    Há uma frase dele que (isso faz muitos anos) escrevi num cartaz e preguei na parede da sala. Dizia (cito de memória e pode estar errada):

    “Ainda que tivesse que ficar só, não trocaria nem por um trono a minha liberdade de pensar”

    Um outro cartaz, ao lado, (quiçá pra contraditar) trazia um poema de Lord Rochester, traduzido por Augusto de Campos:

    ”Fosse eu (que por acaso levo o nome
    Da rara e prodigiosa espécie: o Homem)
    Livre para escolher meu próprio curso,
    A carne certa e o sangue natural,
    Queria ser Macaco, Cão ou Urso,
    Tudo menos o fútil Animal,
    Tão orgulhoso de ser Racional.”

    Beijos

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