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"Eu dentro do templo chuto o tempo. Uma palavra me delineia VORAZ" Ana Cristina César

wine

Transplantar
o transfinito corpo desmedido
 
insuflar
toda a fúria  
em sal-suspiro —
 
tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
 
a voz-gemido,
o âmago do vinho
 
um leopardo rubro,
em cântaros; vil felídeo —
 
a adentrar fundo:
 
os lábios ao sulco;
o sumo de teu vinho

Bruno Prado

5 Comments


  1. Fred Matos
    Dec 30, 2009

    ” tua carne-ardil,
    uma pequena vinha —

    a voz-gemido,
    o âmago do vinho”

    O poema inteiro é uma maravilha, mas, o trecho destacado, é daqueles raros que colam no ouvido e me dá vontade de tomar como mote, para um meu, desde que disto o Bruno não desgoste.

    Parabéns para ele.
    Pra você um beijo


  2. ...
    Dec 30, 2009

    Fred,
    Muito obrigado pelos comentários!.

    Ótimas festas e um ótimo ano pra ti!

    Abraços,
    Bruno

    P.S.
    Aguardo o poema cujos meus versos usará de mote!


  3. Fred Matos
    Jan 03, 2010

    Bruno,

    O meu não está à altura do seu poema, certamente precisa de um “tempo de gaveta” para maturar. Só hoje foi que voltei aqui e vi esta sua autorização e corri a escrever. Enfim, está aqui:

    ” tua carne-ardil,
    uma pequena vinha —
    a voz-gemido,
    o âmago do vinho”

    Bruno Prado

    na pele trouxeste-me
    um peixe tatuado
    nos olhos o verão
    maça nos lábios

    ainda que não fiques
    e leves minha sombra
    deixaste-me pássaros
    aninhados nas coxas

    anjos e serpentes
    com asas encarnadas
    deixam nos espelhos
    girassóis e vinho

    e no âmago da carne
    um verso que arde
    uma voz que geme
    o ardil da saudade

    Fred Matos


  4. Priscila Manhães
    Jan 04, 2010

    Ficou muito bom, Fred. Como sempre.
    Vou postar. Os senhores que briguem comigo.
    Beijos!!!


  5. Fred Matos
    Jan 04, 2010

    Pri e Bruno,

    Fiz modificações e publiquei lá no blog.
    Sempre pode-se fazer melhor, mas, por enquanto, contento-me com este:

    ardil da saudade

    ” tua carne-ardil,
    uma pequena vinha —
    a voz-gemido,
    o âmago do vinho”

    Bruno Prado

    trouxeste-me na pele
    um peixe tatuado
    nos olhos o verão
    maça nos lábios

    deixaste-me pássaros
    cativos nas coxas
    mas levaste-me a sombra
    na tua trouxa

    anjos e serpentes
    com asas encarnadas
    deixam nos espelhos
    girassóis e vinho

    e no âmago da carne
    um verso que arde
    uma voz que geme
    o ardil da saudade

    Fred Matos

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