wine

Transplantar
o transfinito corpo desmedido
 
insuflar
toda a fúria  
em sal-suspiro —
 
tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
 
a voz-gemido,
o âmago do vinho
 
um leopardo rubro,
em cântaros; vil felídeo —
 
a adentrar fundo:
 
os lábios ao sulco;
o sumo de teu vinho

Bruno Prado

5 Responses to “”

  1. ” tua carne-ardil,
    uma pequena vinha —

    a voz-gemido,
    o âmago do vinho”

    O poema inteiro é uma maravilha, mas, o trecho destacado, é daqueles raros que colam no ouvido e me dá vontade de tomar como mote, para um meu, desde que disto o Bruno não desgoste.

    Parabéns para ele.
    Pra você um beijo

  2. Fred,
    Muito obrigado pelos comentários!.

    Ótimas festas e um ótimo ano pra ti!

    Abraços,
    Bruno

    P.S.
    Aguardo o poema cujos meus versos usará de mote!

  3. Bruno,

    O meu não está à altura do seu poema, certamente precisa de um “tempo de gaveta” para maturar. Só hoje foi que voltei aqui e vi esta sua autorização e corri a escrever. Enfim, está aqui:

    ” tua carne-ardil,
    uma pequena vinha —
    a voz-gemido,
    o âmago do vinho”

    Bruno Prado

    na pele trouxeste-me
    um peixe tatuado
    nos olhos o verão
    maça nos lábios

    ainda que não fiques
    e leves minha sombra
    deixaste-me pássaros
    aninhados nas coxas

    anjos e serpentes
    com asas encarnadas
    deixam nos espelhos
    girassóis e vinho

    e no âmago da carne
    um verso que arde
    uma voz que geme
    o ardil da saudade

    Fred Matos

  4. Ficou muito bom, Fred. Como sempre.
    Vou postar. Os senhores que briguem comigo.
    Beijos!!!

  5. Pri e Bruno,

    Fiz modificações e publiquei lá no blog.
    Sempre pode-se fazer melhor, mas, por enquanto, contento-me com este:

    ardil da saudade

    ” tua carne-ardil,
    uma pequena vinha —
    a voz-gemido,
    o âmago do vinho”

    Bruno Prado

    trouxeste-me na pele
    um peixe tatuado
    nos olhos o verão
    maça nos lábios

    deixaste-me pássaros
    cativos nas coxas
    mas levaste-me a sombra
    na tua trouxa

    anjos e serpentes
    com asas encarnadas
    deixam nos espelhos
    girassóis e vinho

    e no âmago da carne
    um verso que arde
    uma voz que geme
    o ardil da saudade

    Fred Matos

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