Archives
Monthly Archive
for: ‘January, 2010’

Pentesiléia
Detalhe de Battaglia delle Amazzoni, de Anselm Feuerbach.

Uma rainha amazonas: Pentesiléia. Entrou na guerra de Tróia por matar sem querer Hipólita, a irmã, numa caça… Aquiles entrou na guerra pra buscar de volta sua recompensa (amada) e, principalmente, vingar a morte de Patroclo (que usou sua armadura e foi morto por Heitor – por engano).

O encontro de ambos não ocorreu na Ilíada de Homero, que conta a guerra de Tróia, mas na Aethiopis (ou Etiópias) dado por autoria a Artino de Mileto, e que nos restaram uns dois ou três fragmentos: o que narram? O que ocorreu depois da guerra de Tróia (o final dela).

Em especial a ajuda que os troianos receberam dos etíopes, mas narra, também, o encontro dessa rainha amazonas com o guerreiro aqueu. Os povos glorificavam-nas, as amazonas, como aos deuses, semi-deuses e daemons…. Ele era conhecido por ser o maior dos guerreiros, o de pés ligeiros.

O fato: a questão das palavras é irrisória, Aquiles quase perdeu a batalha por uma aparente paixão que se deu naquele ato; oras, no meio de uma batalha: Sim!

O que não fala o poema: Moira-morte (o destino; sina; fardo) espreitava o guerreiro de-vida-curta, mas os oráculos diziam que só com Aquiles é possível derrotar Troia. Realmente o era.

A fratura: no instante antes do golpe final (o pré-golpear), cruzaram-se os olhos – dois guerreiros belos, invencíveis (um novo fardo): o golpe, a desfazer o fardo. A guerreira é abatida pelo derradeiro golpe.

O guerreiro observa a amazonas e chora! Naquela morte cheia de honras não houve vitória.


AQUILES FURISSOANTE
e Pentesiléia crina-bela,

ambos,
no olhuzir do embate;
o último combate

na fratura do instante:

ambos,

o não-arbítrio de Eros
à íra de Ares —

flechados;

fechados
no impossível entreato

o total transitório;
a ambrosia; o hiato —

afrontou a sina;
a divindade-morrediça —

e lancinou-se o indizível;
o transquerer —

o louro louro dentre sangue;
a lágrima ferina —

no furor,
o mais ungido fato

que será sempre nunca:

não-ato

Texto e poema de Bruno Prado.

Miriam Reyes

ELLA QUERÍA HACERLO TODO:
pincharse el dedo morder la manzana seguir al conejo.
Pero al cerrar los ojos,
se le emborronaron los sueños.

ELA QUERIA FAZER TUDO:
picar-se no dedo morder maçã seguir o coelho.
Mas ao fechar os olhos
esborracharam-se os sonhos.

Dois

Literatura

Nascida contra o branco:
sonha mares e terras,
velocidade e vórtices,
histórias com futuro

- o futuro impaciente
de um pôr-do-sol -

em sua ardósia
cabem curvas e retas,
o mapa dos fósseis
as pegadas de algum pássaro.

Porem a favor:
a linha dos mortos.
É a voz que convoca
para dançar novamente
junto a pedra
suas normas não são lei.
Gasta-se e recria-se.

Um código -
como o sonho e a água
começa no mistério
e não o nega.

Poética

Aspirar o silêncio
e opor-se ao domínio
da palavra flor
sem omitir
as quatro aparições
de seu nome.

Ardil da Saudade

“tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
a voz-gemido,
o âmago do vinho”

Bruno Prado

trouxeste-me na pele
um peixe tatuado
nos olhos o verão
maça nos lábios

deixaste-me pássaros
cativos nas coxas
mas levaste-me a sombra
na tua trouxa

anjos e serpentes
com asas encarnadas
deixam nos espelhos
girassóis e vinho

e no âmago da carne
um verso que arde
uma voz que geme
o ardil da saudade

Fred Matos

Mais poemas do Fred, aqui: http://eumeuoutro.blogspot.com/

orgulho

Fotografia da Paula

Minha irmã está fotografando muitíssimo bem.
Estou muito orgulhosa. Vejam mais aqui:

http://www.flickr.com/photos/paulinhadroops/

Feliz 2010!!

Desejo a todos um ano de saúde, amor e toda a beleza! Que seja um ano repleto de coisas bonitas.

Categorias

Arquivos