Do irrefreável

GRAÚNA DOPPELGÄNGER

Graúna era um ponto negro
Na terra alaranjada
E seca.
Torrões de areia,
Nenhum verde.

O sol a pino brilha
Na plumagem e é engolido.
Para enganar Deus
E sacudir
O marasmo do dia
A graúna levanta vôo
E na sombra negra se replica.

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GRAÚNA SNAKECHARMER

Canta, canta canta
E cria uma espiral dentro
De cada estômago;

Graúna canta e canta
E captura a alma do homem.
Ele tira a mulher para dançar
E os dois formam uma espiral
Poderosíssima.

Graúna canta e canta
E hipnotiza Deus, surpreso
Com as conseqüências de sua criação.
Quando viu a mulher e o homem
Rodopiando, incontroláveis,

Deus levou as mãos à cabeça
E em seu desespero divino
Criou o primeiro furacão.

2 Responses to “Do irrefreável”

  1. Belíssimos poemas!

    A imagem do duplo e algo do trágico, numa espécie de escritura sacra.

    Um jogo de imagens e reflexos, que me remetem a uma verve mística (de um Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt). Parabéns!

    Besos,

  2. Ótimos poemas, Pri.
    Beijos

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