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	<title>Dias de Voragem &#187; Angelos Sikelianos</title>
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		<title>Viajo com Dionísio &#8211; Angelos Sikelianos</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jul 2007 18:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>priscila</dc:creator>
				<category><![CDATA[Angelos Sikelianos]]></category>

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		<description><![CDATA[Viajo com Dionísio E antes,na noite cegaapoiando meu corpo em mãos invisíveis,caminhei, Terra, sobre teus sulcos grávidos. Teu solo estava tensocomo a pele de boi num tambor.E sob meus pés eu a sentia fremirao grande ritmo do mundo. Como um cego de nascençaque, ao menor ruído,ergue mecanicamente os olhos mortos para o céu- como se ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:trebuchet ms;"><strong><span style="font-size:180%;color:#993399;">Viajo com Dionísio</span></strong></p>
<p>E antes,<br />na noite cega<br />apoiando meu corpo em mãos invisíveis,<br />caminhei, Terra, sobre teus sulcos grávidos.</p>
<p>Teu solo estava tenso<br />como a pele de boi num tambor.<br />E sob meus pés eu a sentia fremir<br />ao grande ritmo do mundo.</p>
<p>Como um cego de nascença<br />que, ao menor ruído,<br />ergue mecanicamente os olhos mortos para o céu<br />- como se os sons viessem sempre do alto –<br />e, assim que leva uma flauta aos lábios,<br />marca o ritmo com os pés e faz cantar<br />todas as vozes do mundo por sua voz,<br />a alma ofuscada de invisível luz,<br />assim, na noite cega,<br />caminho e amasso com os pés<br />Terra, teus grávidos sulcos.</p>
<p>Mas quando para nós, os companheiros do deus,<br />veio a hora da partida<br />- a hora em que na margem<br />a areia range sob os passos como uma voz viva,<br />em que as velas eclodem como lírios<br />nas planícies do extenso –<br />empurramos os navios até o mar<br />e de repente esqueci a terra.<br />E senti brotar em meu coração<br />uma luz nova, como a estrela da manhã.</p>
<p>Uma chuva fina riscava os sulcos do mar,<br />um rumor leve, um murmúrio de espuma<br />Eeevava-se de sobre as ondas,<br />o murmúrio da água nos dentes<br />de nossos remos.</p>
<p>As ilhas brancas ao longe confundiam seus promontórios<br />como pombas enlaçadas, e por vezes,<br />enquanto seguíamos as margens perfumadas de tomilho,<br />tartarugas gigantes nos olhavam passar<br />imóveis como rochedos de sombras.</p>
<p>E eu, nessa vertigem última da viagem,<br />aspirava com meus remos todo o seio do mar<br />e tecia minha rota sobre a trama das águas<br />e minha alma escoltava o barco<br />como, em seu sulco, uma gaivota obstinada.</p>
<p>Então meus companheiros,<br />na calma das coisas,<br />assim pediram aos deuses:<br />“Sim, agora que temos<br />os olhos queimados pelas vigílias e pelo sal,<br />nossas almas imóveis poderão reverberar<br />o horizonte na esteira do silêncio.</p>
<p>Como um peixe deixando a escuridão do abismo<br />para vir respirar à superfície imóvel<br />na hora em que se espalha o coral da aurora<br />e que escorre e torna a mergulhar e risca o oceano<br />como sílex de prata sob o fogo do sol,<br />assim, nós, agora,<br />penetramos no espaço imóvel de nossos deuses<br />e nosso corpo inteiro alerta<br />sente, até os dedos,<br />forte desejo crescer em nós<br />ao grande ritmo do mundo”.<br />Então de repente, eu Te avistei,<br />Tu, menino-deus, o Mestre secreto da vida!<br />Pois<br />sem que a proa faça espuma,<br />sem que a popa deixe esteira,<br />sem o menos vento em torno,<br />o barco deslizava sobre as águas&#8230;</p>
<p>quem nos conduzia, nu, à proa<br />estendido no horizonte,<br />quem conduzia, senão o deus?</p>
<p>E o ar tremia em volta dele<br />como em volta de um rochedo ardendo<br />ao meio-dia, a fornalha dos ventos<br />ou como em volta de um altar branco<br />o fogo das preces e das danças!</p>
<p>E eu, sentindo brotar em meu coração<br />o canto invisível do deus,<br />eu exclamei: Libertador!<br />Tu me tiraste do esquecimento,<br />fizeste-me beber a embriaguez das tempestades,<br />e me arrastas aos extremos do mundo<br />e me tornei, por tua ordem secreta,<br />como o pássaro do mar pousado entre duas voas<br />e que sobe e desce na espuma<br />ao grande ritmo do mundo!</p>
<p><strong><span style="color:#009900;"><span style="color:#993399;">Angelos Sikelianos, 1919.</span><br /></span>Priscila Manhães, 2007.</strong></span><br /><strong><span style="font-family:Trebuchet MS;"></span></strong><br /><span style="font-family:Trebuchet MS;"><em>E eu dedico a tradução como uma prece intensa e profana ao meu eterno Dionísio, o Gunaimades; sobretudo Purigites.</em></span></p>
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