Amoureux au Bouquet – Marc Chagall
.
“Paradiseas manhans! riso dos céus”
Sousândrade
Deixa tocar-te a íris dos olhos
com a força
que não se permite qualquer palavra
tocar-te o pulso,
o abismo convulso —
deixa dilatar a estrela inerte
que fenda tua boca,
dessatar o jasmim,
o nó de rio dos nossos lábios
deixa que se perca em nós
nossa mais vacilante aurora
deixa-te,
agora, agora e agora
Bruno Prado

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Detalhe de Battaglia delle Amazzoni, de Anselm Feuerbach.
Uma rainha amazonas: Pentesiléia. Entrou na guerra de Tróia por matar sem querer Hipólita, a irmã, numa caça… Aquiles entrou na guerra pra buscar de volta sua recompensa (amada) e, principalmente, vingar a morte de Patroclo (que usou sua armadura e foi morto por Heitor – por engano).
O encontro [...]

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Transplantar
o transfinito corpo desmedido
 
insuflar
toda a fúria  
em sal-suspiro —
 
tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
 
a voz-gemido,
o âmago do vinho
 
um leopardo rubro,
em cântaros; vil felídeo —
 
a adentrar fundo:
 
os lábios ao sulco;
o sumo de teu vinho
Bruno Prado

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O Verde

O VERDE ACENDE a pupila de meu peito,
um vendaval,
borboletas de palavras
há sangue rubro,
há delírio,
uma constelação de lírios do instinto —
e transpiro,
soletro teu olhar —
adentro tua imagem
com o lirismo de meus dedos
desvaneço
anoiteço teu ouvido
sem os lábios —
o verdor das palavras;
um rio lírico no pensamento
Bruno Prado
Mais poemas aqui.

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Um poema de Bruno Prado

QUANDO não há:
cala!
nem palavra, nem grafia
a mais pura
víscera de poesia —
sangue pelo tato;
embalo —
a vida estrita
é escrita pelo faro
Bruno Prado

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um presente lindo

Adoro ganhar presentinhos! Arte e poesia de Bruno Prado.
Ah!, a fotografia é de Glauco Reis.

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Imagem e Poesia #2

O Espelho da Noite – Priscila Manhães Lerner
Óleo sobre tela
28 x 40 cm
Dois sóis noturnos;
o sonho,
a câmara de astros —
entrelaçados na vereda;
manchados —
loucos, na fenda,
no embate —
cego
caímos;
desnudo
o cristal azul da face
espelhado
Bruno Brado

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Imagem e poesia

Priscila Manhães
Técnica Mista
85 x 105,5 cm

ENVOLVE
com a pele tua sede —
um dilúvio contínuo
canta a carne;
onde o olhar faz-se vento
e a ausência verde ave
perca-se
desordenadamente
absorto,
em sons de anseio
onde a pele rega a sede
e a carne pede água
Bruno Prado
Do livro Fraturas.

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Versinhos sacanas

Fotografia erótica de 1910, feita por um fotógrafo anônimo francês.

“Eu te proponho um trato perfeito
que com justiça se justifica:
vem mamar leite do meu peito;
eu leite da sua pica.”
Priscila Manhães

“Deixa eu colocar bem fundo minha pica;
Se doer, beleza! Eu gozo; no cu não fica.”
Bruno Prado

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Uma imagem e um poema

Desenho meu e poema de Bruno Prado.
(clique na imagem para ver melhor)

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Canto I

Uma árvore de nuvens cresce dentro da minha cabeça, um fruto azul, seco, de uma nostalgia inexplicada, não tenho passado, não tenho futuro, não tenho qualquer forma de tempo nos meus pés, folhas de gás pingam melancolia sobre a terra, uma árvore azul crescer dentro dos frutos gaseados, uma cabeça de árvore seca inexplicavelmente presente [...]

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Três poemas de Bruno Prado

Bruno Prado.
VEREDA
“Tua sina te assina esse destino”
Konstantinos Kaváfis
Buscar-se um oriente: mística, indomável fera.
Caminho raro — bravio retorno; esquecidiço…
Impulsivamente — faz-se do destino, o roteiro;
Outro sol — indefinida senda — ao impossível…
É ilusão volver — douto velho — tempo fugidio;
Sem mais — asa incinerada — a fuga é o regresso…
Do livro Líquen.

Sobe aos pés
o silêncio do [...]

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Henri Matisse
.
AS MÃOS tocam a tarde
na clavícula
escorre a navalha
sobre a pele — fere;
o espinho da palavra
perfura os dedos,
uma fala ferida
que beira o colapso,
escorre
o sangue,
sem desespero —
o estranhamento
a transitar — perdido
sorrir
naquilo que escrevo —
descer além;
lançar-se às chamas,
ao calor,
deitar o corpo
da linguagem
e largar-se
libertar-se de qualquer sentido
que não o delírio
Bruno Prado
Mais poemas do Bruno na Germina.

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