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for: ‘Bruno Prado’

Chagall
Amoureux au Bouquet – Marc Chagall
.

Paradiseas manhans! riso dos céus
Sousândrade

Deixa tocar-te a íris dos olhos
com a força
que não se permite qualquer palavra

tocar-te o pulso,
o abismo convulso —

deixa dilatar a estrela inerte
que fenda tua boca,

dessatar o jasmim,

o nó de rio dos nossos lábios

deixa que se perca em nós
nossa mais vacilante aurora

deixa-te,
agora, agora e agora

Bruno Prado

Pentesiléia
Detalhe de Battaglia delle Amazzoni, de Anselm Feuerbach.

Uma rainha amazonas: Pentesiléia. Entrou na guerra de Tróia por matar sem querer Hipólita, a irmã, numa caça… Aquiles entrou na guerra pra buscar de volta sua recompensa (amada) e, principalmente, vingar a morte de Patroclo (que usou sua armadura e foi morto por Heitor – por engano).

O encontro de ambos não ocorreu na Ilíada de Homero, que conta a guerra de Tróia, mas na Aethiopis (ou Etiópias) dado por autoria a Artino de Mileto, e que nos restaram uns dois ou três fragmentos: o que narram? O que ocorreu depois da guerra de Tróia (o final dela).

Em especial a ajuda que os troianos receberam dos etíopes, mas narra, também, o encontro dessa rainha amazonas com o guerreiro aqueu. Os povos glorificavam-nas, as amazonas, como aos deuses, semi-deuses e daemons…. Ele era conhecido por ser o maior dos guerreiros, o de pés ligeiros.

O fato: a questão das palavras é irrisória, Aquiles quase perdeu a batalha por uma aparente paixão que se deu naquele ato; oras, no meio de uma batalha: Sim!

O que não fala o poema: Moira-morte (o destino; sina; fardo) espreitava o guerreiro de-vida-curta, mas os oráculos diziam que só com Aquiles é possível derrotar Troia. Realmente o era.

A fratura: no instante antes do golpe final (o pré-golpear), cruzaram-se os olhos – dois guerreiros belos, invencíveis (um novo fardo): o golpe, a desfazer o fardo. A guerreira é abatida pelo derradeiro golpe.

O guerreiro observa a amazonas e chora! Naquela morte cheia de honras não houve vitória.


AQUILES FURISSOANTE
e Pentesiléia crina-bela,

ambos,
no olhuzir do embate;
o último combate

na fratura do instante:

ambos,

o não-arbítrio de Eros
à íra de Ares —

flechados;

fechados
no impossível entreato

o total transitório;
a ambrosia; o hiato —

afrontou a sina;
a divindade-morrediça —

e lancinou-se o indizível;
o transquerer —

o louro louro dentre sangue;
a lágrima ferina —

no furor,
o mais ungido fato

que será sempre nunca:

não-ato

Texto e poema de Bruno Prado.

wine

Transplantar
o transfinito corpo desmedido
 
insuflar
toda a fúria  
em sal-suspiro —
 
tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
 
a voz-gemido,
o âmago do vinho
 
um leopardo rubro,
em cântaros; vil felídeo —
 
a adentrar fundo:
 
os lábios ao sulco;
o sumo de teu vinho

Bruno Prado

O Verde

verde

O VERDE ACENDE a pupila de meu peito,

um vendaval,
borboletas de palavras

há sangue rubro,
há delírio,

uma constelação de lírios do instinto —

e transpiro,

soletro teu olhar —

adentro tua imagem
com o lirismo de meus dedos

desvaneço

anoiteço teu ouvido
sem os lábios —

o verdor das palavras;

um rio lírico no pensamento

Bruno Prado
Mais poemas aqui.

Um poema de Bruno Prado

QUANDO não há:

cala!

nem palavra, nem grafia

a mais pura
víscera de poesia —

sangue pelo tato;

embalo —

a vida estrita
é escrita pelo faro

Bruno Prado

um presente lindo

Adoro ganhar presentinhos! Arte e poesia de Bruno Prado.
Ah!, a fotografia é de Glauco Reis.

Priscila Manhães Lerner

Imagem e Poesia #2

noite, priscila manhães lerner
O Espelho da Noite – Priscila Manhães Lerner
Óleo sobre tela
28 x 40 cm

Dois sóis noturnos;

o sonho,
a câmara de astros —

entrelaçados na vereda;
manchados —

loucos, na fenda,
no embate —

cego
caímos;

desnudo

o cristal azul da face

espelhado

Bruno Brado

Imagem e poesia

Priscila Manhães Lerner

Priscila Manhães
Técnica Mista
85 x 105,5 cm

ENVOLVE
com a pele tua sede —

um dilúvio contínuo
canta a carne;

onde o olhar faz-se vento
e a ausência verde ave

perca-se
desordenadamente

absorto,
em sons de anseio

onde a pele rega a sede

e a carne pede água

Bruno Prado
Do livro Fraturas.

Versinhos sacanas

Fotografia erótica de 1910, feita por um fotógrafo anônimo francês
Fotografia erótica de 1910, feita por um fotógrafo anônimo francês.

“Eu te proponho um trato perfeito
que com justiça se justifica:
vem mamar leite do meu peito;
eu leite da sua pica.”

Priscila Manhães

“Deixa eu colocar bem fundo minha pica;
Se doer, beleza! Eu gozo; no cu não fica.”

Bruno Prado

Uma imagem e um poema

do livro Fraturas
Desenho meu e poema de Bruno Prado.

(clique na imagem para ver melhor)

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