Amoureux au Bouquet – Marc Chagall
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“Paradiseas manhans! riso dos céus”
Sousândrade
Deixa tocar-te a íris dos olhos
com a força
que não se permite qualquer palavra
tocar-te o pulso,
o abismo convulso —
deixa dilatar a estrela inerte
que fenda tua boca,
dessatar o jasmim,
o nó de rio dos nossos lábios
deixa que se perca em nós
nossa mais vacilante aurora
deixa-te,
agora, agora e agora
Bruno Prado
Do irrefreável
GRAÚNA DOPPELGÄNGER
Graúna era um ponto negro
Na terra alaranjada
E seca.
Torrões de areia,
Nenhum verde.
O sol a pino brilha
Na plumagem e é engolido.
Para enganar Deus
E sacudir
O marasmo do dia
A graúna levanta vôo
E na sombra negra se replica.
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GRAÚNA SNAKECHARMER
Canta, canta canta
E cria uma espiral dentro
De cada estômago;
Graúna canta e canta
E captura a alma do homem.
Ele tira a mulher para [...]
Detalhe de Battaglia delle Amazzoni, de Anselm Feuerbach.
Uma rainha amazonas: Pentesiléia. Entrou na guerra de Tróia por matar sem querer Hipólita, a irmã, numa caça… Aquiles entrou na guerra pra buscar de volta sua recompensa (amada) e, principalmente, vingar a morte de Patroclo (que usou sua armadura e foi morto por Heitor – por engano).
O encontro [...]
Dois
Literatura
Nascida contra o branco:
sonha mares e terras,
velocidade e vórtices,
histórias com futuro
- o futuro impaciente
de um pôr-do-sol -
em sua ardósia
cabem curvas e retas,
o mapa dos fósseis
as pegadas de algum pássaro.
Porem a favor:
a linha dos mortos.
É a voz que convoca
para dançar novamente
junto a pedra
suas normas não são lei.
Gasta-se e recria-se.
Um código -
como o sonho e a água
começa [...]
Ardil da Saudade
“tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
a voz-gemido,
o âmago do vinho”
Bruno Prado
trouxeste-me na pele
um peixe tatuado
nos olhos o verão
maça nos lábios
deixaste-me pássaros
cativos nas coxas
mas levaste-me a sombra
na tua trouxa
anjos e serpentes
com asas encarnadas
deixam nos espelhos
girassóis e vinho
e no âmago da carne
um verso que arde
uma voz que geme
o ardil da saudade
Fred Matos
Mais poemas do Fred, aqui: http://eumeuoutro.blogspot.com/
(MY OWN) IDIOTEQUE
O frio afaga a pele
Derrete gelo milenar
Os olhos se perdem
Engolem momentos. Disfarça.
(But here I’m allowed)
Detrás dos olhos
Outros olhos
Lábios, saliva, dentes
Um orvalho quente
As palavras se perdem
Nos silêncios covardes
Na noite fria
Por trás dos olhos
(I’m allowed)
Priscila Manhães Lerner
O Verde
O VERDE ACENDE a pupila de meu peito,
um vendaval,
borboletas de palavras
há sangue rubro,
há delírio,
uma constelação de lírios do instinto —
e transpiro,
soletro teu olhar —
adentro tua imagem
com o lirismo de meus dedos
desvaneço
anoiteço teu ouvido
sem os lábios —
o verdor das palavras;
um rio lírico no pensamento
Bruno Prado
Mais poemas aqui.
no sentido da voragem
(Imagem: Miquel Arnal)
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O SEXTO SENTIDO
Estamos aqui
Em estado de liberdade
Condicionada pela enorme filáucia do próximo
Que um poeta desconhecido confirmou
Quando disse:
O sexo existe
Vem da palavra six
Igual a sexto sentido
Que é feminino
E acrescentou:
A maçã
É para ser comida
Ana Hatherly
Um poema de Bruno Prado
QUANDO não há:
cala!
nem palavra, nem grafia
a mais pura
víscera de poesia —
sangue pelo tato;
embalo —
a vida estrita
é escrita pelo faro
Bruno Prado
um presente lindo
Adoro ganhar presentinhos! Arte e poesia de Bruno Prado.
Ah!, a fotografia é de Glauco Reis.
Três poemas de August Stramm
Egon Schiele
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CASA DE PRAZER
Luzes meretrizam nas janelas
A doença
Roja-se à porta
E conclama gemidos de mulher!
Almas femininas enrubescem risadas agudas!
Colos de mães bocejam filhos mortos!
O não-nascido
Fantasmambula
Volátil
Pelo espaço!
Medrosa
Num canto
Envergonrevolroída
Esconde-se
A espécie!
FREUDENHAUS
Lichte dirnen aus den Fenstern
die Seuche
spreitet an der Tür
und bietet Weiberstöhnen aus!
Frauenseelen schämen grelle Lache!
Mutterschöße gähnen Kindestod!
Ungeborenes
geistet
dünstelnd
durch die Räume!
Scheu
im Winkel
schamzerpört
verkriecht sich
das Geschlecht!
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LUAR
Lívidos langues
Lábeis flexíveis
Gatos odoram
Flores tremem
Águas lambem
Ventos soluçam
A luz [...]
Imagem e Poesia #2
O Espelho da Noite – Priscila Manhães Lerner
Óleo sobre tela
28 x 40 cm
Dois sóis noturnos;
o sonho,
a câmara de astros —
entrelaçados na vereda;
manchados —
loucos, na fenda,
no embate —
cego
caímos;
desnudo
o cristal azul da face
espelhado
Bruno Brado