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for: ‘Uncategorized’

Miriam Reyes

ELLA QUERÍA HACERLO TODO:
pincharse el dedo morder la manzana seguir al conejo.
Pero al cerrar los ojos,
se le emborronaron los sueños.

ELA QUERIA FAZER TUDO:
picar-se no dedo morder maçã seguir o coelho.
Mas ao fechar os olhos
esborracharam-se os sonhos.

Feliz 2010!!

Desejo a todos um ano de saúde, amor e toda a beleza! Que seja um ano repleto de coisas bonitas.

O amor moral

Platão, Pascal, Stendhall, Rougemont: tendo todos escrito longamente sobre as formas possíveis de amor, não sei se algum deles pensou no amor moral. Não o amor por obrigação moral, como aquele que se deve ter pelos pais ou pelos filhos, mas o amor que nasce da exaltação das qualidades morais de outra pessoa. Um amor que não é físico, romântico ou cortês. Um amor infinitamente realista e prático. Um amor que não depende de nenhuma suspensão, de nenhuma idealização, de nenhum desejo. Um amor que nasce de uma espécie de consciência.

Ganhar um pôr-do-sol

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- Nem parece São Paulo.

Visionário, em grego é alafraïskiotos. Eu sei, não é fácil pronunciar e nem mesmo escrever, mas eu gosto dessa palavra. É da mesma família poético-fonética de adyton e acheiropoïtos. É musical, aérea, e quer dizer, literalmente, “que tem uma sombra leve”. É como se designa, em grego, aqueles que têm o dom do porvir, não os videntes, adivinhos e charlatões do tipo, mas os poetas cuja obra inventou ou pronunciou o futuro. Descobri essa palavra lendo um poema de Anghelos Sikelianos, e ela me impressionou pela beleza e limpidez de sua imagem: ter uma sombra leve, translúcida ou mesmo transparente. É uma bela homenagem aos poetas que marcam seu tempo. Não é – inconscientemente, sem dúvida – uma maneira de dizer também que esses poetas, pela intensidade de suas palavras e pelo brilho de sua intuição, prenunciam a leveza e a luz de dias futuros.

WASH IT OUT WASH IT OUT NOW

Coisas quase normais. Talvez um pouco de retrocesso.
Talvez só a rara ocasião se aprumando.
Boca seca.
Bati os saltos na calçada de pedra e fui toda toc-toc,
……………………………………………………vou perder o quê?
Meu punch esgazeado em cerveja sem Ál-CO-OL,
toda toda e séria de óculos?
……………………………….Whaddafuck.
E o que teria sido? Se, por si, tão odioso:
condiciona, não explica, esfumaça.

Mordo os ses todos – arranco o couro, mastigo os ossos.
Cuspo fora e ainda assim é outra coisa: não há
o que dê jeito em um se.
………………………..Abano o rabo.
Acariciam a minha cabeça e eu abano o rabo,
mais que agradecida. Um é, assim generoso,
no presente. Antes que o momento passe,
eles são tão delicados
……………………..os momentos,
não falo de és ou ses. Os momentos,
discuta-se a duração deles
a dor de um incêndio cravada na retina,
palavras que vivem e se repetem
e ganham vida própria.

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A letra P como poesia, nanquim, 1997 – Guy Girard.

Ah, no fim, a alma que muito busca acaba sempre mais vazia, vai, sofre, busca busca busca e só consegue ampliar horizontes, descobrir a relatividade das coisas, amar mais lugares, línguas e pessoas, sabendo que jamais terá todas elas.
Eu. O pronome maldito. Eu. Me atrevi. Eu, essa pessoa que sempre precisa do absoluto, estudar mais, aprender novas línguas. Eu que tive a coragem de me reproduzir voragem (no começo morri de medo de me nascer um espelho, com a pinta na perna e tudo), eu, que não engoli o pacote de Cristo (me atrevi), que penso em um terreno antigo, hoje Itália, antes Gália, celtas e uma lua que abençoava a colheita. Prazer em ser. Eu sou de um povo bárbaro, olha e aponta, a cicatriz, tem tinta preta, olha e aponta. Andei, andei, andei e tome lá olha e aponta, nenhuma avó gosta de tatuagens, as italianas, as paulistas, as russas e as cariocas. Mas me reproduzo, e aqui estamos, brotando sob a sola, cogumelos, e se por minha vez assalto Ana e Sylvia, até de Virgínia afanei por linhas tortas, as estrelas não eram as mesmas, mas a lua era, perfeita e estéril a reger nossas marés. E hoje importo o trigo, não comemoro, alta de juros dos produtos importados, mas a lua.

Rodrigo – in memoriam

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Deus não: deuses.
Tenho rituais. Acendo um cigarro atrás do outro e deixo que se fumem. Deixo que os deuses fumem cada um o seu cigarro. Às vezes acendo todos ao mesmo tempo. Meus deuses fumam comigo. Fica uma bagunça, orgia de fumaça. E Rimbaud dança. Baudelaire foge. Sorrio.

Todos os cachorros são azuis. 7 Letras – 2008.

Agora você está fumando com os deuses, meu amigo. Com Rimbaud e Baudelaire. Fica em paz.

Eros IV

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Eros Centocelle

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Eros com o seu arco – Escultura romana do Museu Capitolini

Mais sobre Eros:

Eros - Greek Protogenos god of Procreation

Eros – Greek god of Love

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