Ardil da Saudade

“tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
a voz-gemido,
o âmago do vinho”

Bruno Prado

trouxeste-me na pele
um peixe tatuado
nos olhos o verão
maça nos lábios

deixaste-me pássaros
cativos nas coxas
mas levaste-me a sombra
na tua trouxa

anjos e serpentes
com asas encarnadas
deixam nos espelhos
girassóis e vinho

e no âmago da carne
um verso que arde
uma voz que geme
o ardil da saudade

Fred Matos

Mais poemas do Fred, aqui: http://eumeuoutro.blogspot.com/

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orgulho

Fotografia da Paula

Minha irmã está fotografando muitíssimo bem.
Estou muito orgulhosa. Vejam mais aqui:

http://www.flickr.com/photos/paulinhadroops/

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Feliz 2010!!

Desejo a todos um ano de saúde, amor e toda a beleza! Que seja um ano repleto de coisas bonitas.

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(MY OWN) IDIOTEQUE

O frio afaga a pele
Derrete gelo milenar
Os olhos se perdem
Engolem momentos. Disfarça.
(But here I’m allowed)
Detrás dos olhos
Outros olhos
Lábios, saliva, dentes
Um orvalho quente
As palavras se perdem
Nos silêncios covardes
Na noite fria
Por trás dos olhos
(I’m allowed)

Priscila Manhães Lerner

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wine

Transplantar
o transfinito corpo desmedido
 
insuflar
toda a fúria  
em sal-suspiro —
 
tua carne-ardil,
uma pequena vinha —
 
a voz-gemido,
o âmago do vinho
 
um leopardo rubro,
em cântaros; vil felídeo —
 
a adentrar fundo:
 
os lábios ao sulco;
o sumo de teu vinho

Bruno Prado

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A árvore

The Tree of Life,Klimt
The Tree of Life, Stoclet Frieze, 1909 – Gustav Klimt.
.

A árvore

Esta árvore e seu frêmito
sombria floresta de apelos
de gritos
devora
o obscuro coração da noite.

Vinagre e leite, o céu, o mar
a massa espessa do firmamento,
tudo conspira no estremecimento
que habita o denso coração da sombra.

Um coração aberto, astro duro
que em dois se divide, e no céu se difunde,
o límpido céu fendido
no instante no sol nascente
- fazem todos o mesmo ruído
que a noite a árvore no centro do vento.

Antonin Artaud
Mudado para o português por Herberto Helder

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Edmond Jabès

Toujours cette image…

Toujours cette image de la main et du front,
de l’écrit rendu à la pensée.

Tel l’oiseau dans le nid, ma tête est dans ma main.
L’arbre resterait à célébrer, si le désert n’était partout.

Immortels pour la mort. Le sable est notre part insensée d’héritage.
Puisse cette main où l’esprit s’est blotti, être pleine de semences.
Demain est un autre terme.

Saviez-vous que nos ongles autrefois furent des larmes?
Nous grattons les murs avec nos pleurs durcis comme nos cours-enfants.

Il ne peut y avoir de sauvetage
quand le sang a noyé le monde. Nous ne disposons que de nos bras pour rejoindre, à la nage, la mort

(Au-delà des mers, au-dessus des crêtes, minuscule planète non identifiée, mains urnes, rondes mains comblées, échappées à la pesanteur.)

Lorsque la mémoire nous sera rendue, l’amour connaîtra-t-il enfin son âge?

Bonheur d’un vieux secret partagé.
A l’univers s’accroche encore l’espérance du premier vocable; à la main, la page froissée.

Il n’y a de temps que pour l’éveil

Sempre esta imagem…

Sempre esta imagem da mão e da fronte
da escrita rendida ao pensamento.

Como o pássaro no ninho, minha cabeça está em minha mão.
A árvore continuaria a celebrar, se o deserto não estivesse em toda parte.

Imortais para a morte. A areia é nossa insensata parte da herança.
Pudera esta mão onde o espírito está pleno de sementes.
Amanhã é um outro termo.

Sabia que nossas unhas outrora foram lágrimas?
Rasgamos os muros com nosso pranto endurecido como nossos corações-crianças.

E não pode haver resgate
Quando o sangue tem afogado o mundo. Só dispomos de nossos braços para alcançar, a nado, a morte.

(Além dos mares, acima das cristas, minúsculos
planetas não identificados, mãos unidas, redondas mãos saciadas, soltas à gravidade)

Quando a memória nos for devolvida, conhecerá finalmente o amor sua idade?

Felicidade de um antigo segredo partilhado.
Ao universo se agarra a esperança do primeiro
Vocábulo, à mão, a página amassada.

Só há tempo para o despertar.

Edmond Jabès
Tradução: Priscila Manhães

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Um presente…

Meu presente

… para meu amor.

Técnica mista
65 x 52 cm

Mais desenhos e pinturas aqui:
http://www.flickr.com/photos/priscilalerner

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Interrupção

O blog esteve alguns dias fora do ar por… falta de pagamento. Shame on me. Mas também por erro do servidor. Claro, não bastava eu esquecer de pagar, o servidor ainda precisou mudar meu plano. Enfim, tudo já resolvido, voltamos aos Dias de Voragem.

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Tudo o que é importante se passa no mais profundo segredo. Assentes as regras de um jogo sem lances nem parceiros, nem mesmo casa ou endereço, fica a liberdade. Um poeta disse “a liberdade é detestável”. Quero contrariá-lo: a liberdade é terrível. Vem dela o segredo e a impossibilidade de o dizer, é ela que o dissolve no sangue, que o faz idêntico à tinta cor de sangue, idêntico ao voo. E até ao sol, assim o espero.
Estar na luta contra a pedra fria e a ruína. Para que não dominem o mundo. A dedicação, o luxo, a memória irrompem em vestes, pregas, sombras, pressentimentos vários.

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Galeria de imagens

Mais fotografias, desenhos e pinturas:

http://www.flickr.com/photos/priscilalerner/

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Hoje

Rodrigo

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Fly Sex

Q1

Q2

Influência: Milo Manara.

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